Gestores institucionais de Wall Street acumulam US$ 16,3 bilhões em perdas não realizadas com ETFs de Bitcoin à vista, e um prazo regulatório em 14 de agosto vai revelar quem está reduzindo posições.
O mercado institucional de Bitcoin nos Estados Unidos enfrenta um momento de exposição. Segundo análise da Bloomberg Intelligence, o custo médio de entrada do capital alocado em ETFs de Bitcoin à vista nos EUA gira em torno de US$ 82.249 por unidade — um patamar que, diante do preço atual do ativo, coloca essas posições aproximadamente 22% no negativo.
O volume de perdas não realizadas chega a US$ 16,33 bilhões, um número expressivo que reflete o apetite institucional pelo produto durante os meses de maior euforia do mercado. Agora, com o Bitcoin operando abaixo do preço médio de aquisição desses fundos, a pressão sobre os gestores cresce.
Para quem deseja entender melhor como o Bitcoin funciona antes de acompanhar esses movimentos institucionais, confira nosso guia completo de Bitcoin para iniciantes.
O prazo que vai revelar os movimentos institucionais
Segundo a CryptoSlate, em 14 de agosto vencem os prazos para que grandes gestores de investimentos depositem seus formulários 13-F junto à SEC (Securities and Exchange Commission), o regulador do mercado de capitais americano. Esses documentos registram as posições mantidas em 30 de junho e são de divulgação obrigatória para fundos com patrimônio superior a US$ 100 milhões.
Pela primeira vez desde o lançamento dos ETFs de Bitcoin à vista no início de 2024, os dados vão mostrar com clareza se gestores institucionais mantiveram, aumentaram ou reduziram suas exposições durante um período de queda do ativo. Qualquer saída relevante ficará registrada nos arquivos públicos.
A Bloomberg Intelligence estima o preço médio pago pelos detentores de ETFs de Bitcoin em aproximadamente US$ 82.249 por BTC.
O total de perdas latentes das posições institucionais em ETFs de BTC nos EUA soma US$ 16,33 bilhões, segundo a análise.
Em 14 de agosto, gestores com mais de US$ 100 milhões sob gestão devem entregar à SEC os formulários 13-F com posições de 30 de junho.
Os arquivos 13-F são públicos e vão indicar se grandes nomes do mercado reduziram silenciosamente suas apostas em Bitcoin.
O que os dados podem sinalizar para o mercado
A divulgação dos formulários 13-F é acompanhada de perto por analistas e investidores de varejo porque oferece um retrato fiel do comportamento dos chamados “smart money” — os grandes fundos de pensão, gestoras e family offices que passaram a ter acesso ao Bitcoin via ETF regulado.
O que são os formulários 13-F?
O formulário 13-F é uma exigência trimestral da SEC americana para gestores institucionais com carteira acima de US$ 100 milhões. Ele lista todas as posições em ativos negociados publicamente — incluindo cotas de ETFs — e é divulgado ao mercado com até 45 dias de atraso após o encerramento do trimestre. Para o segundo trimestre de 2025, o prazo cai em 14 de agosto.
Se os dados mostrarem reduções relevantes de posição, o mercado pode interpretar o movimento como sinal de desconforto institucional com o nível de preço atual do Bitcoin. Por outro lado, gestores que mantiveram ou ampliaram a alocação mesmo diante das perdas latentes tendem a ser lidos como comprometidos com uma tese de longo prazo.
Há também o componente de estratégias de hedge: parte dos gestores que aparecem como detentores de ETFs de Bitcoin pode estar com posições protegidas via derivativos, o que significa que a perda contábil nem sempre representa um prejuízo líquido efetivo. Essa distinção, porém, não aparece diretamente nos formulários 13-F.
📌 Nota editorial
As estimativas de custo médio e perdas não realizadas citadas neste texto foram publicadas pela CryptoSlate com base em análise da Bloomberg Intelligence. O KriptoHoje reproduz as informações com fins jornalísticos e não verificou os cálculos de forma independente.
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