A Tools for Humanity, empresa por trás do projeto Worldcoin, é alvo de uma ação judicial de R$ 240 milhões no Brasil por ter coletado dados biométricos de cidadãos em troca de criptomoedas.
O Ministério Público entrou com uma ação civil pública contra a Tools for Humanity, startup cofundada por Sam Altman, CEO da OpenAI, exigindo indenização de R$ 240 milhões por supostas violações à privacidade de brasileiros. O processo está relacionado ao projeto Worldcoin, que em 2024 operou no Brasil oferecendo criptomoedas em troca do escaneamento da íris dos participantes.
A prática consistia em levar um dispositivo chamado Orb — uma esfera metálica equipada com câmeras de alta precisão — a locais públicos e eventos. Pessoas que concordavam em ter seus olhos escaneados recebiam uma quantidade de tokens WLD, a criptomoeda nativa do ecossistema Worldcoin, como recompensa pela cessão dos dados.
Segundo a Exame.com, o MP argumenta que a coleta de dados biométricos feita pela empresa violou a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), além de normas constitucionais de proteção à privacidade. O valor da ação leva em consideração os danos coletivos causados aos cidadãos brasileiros que participaram da iniciativa.
O que é o Worldcoin e como funciona?
O Worldcoin é um projeto que se propõe a criar uma identidade digital global verificada por biometria ocular. A ideia central é distinguir humanos de inteligências artificiais na internet, gerando um identificador único chamado World ID para cada pessoa que passa pelo processo de escaneamento.
Para usuários iniciantes no universo cripto, vale entender: criptomoedas são ativos digitais que funcionam em redes descentralizadas. Neste caso, o token WLD foi usado como incentivo financeiro para que pessoas cedessem seus dados. Para saber mais sobre como esse mercado funciona, confira o guia completo de criptomoedas.
Dispositivo esférico criado pela Tools for Humanity para escanear a íris humana e gerar um identificador biométrico único, o “World ID”.
Criptomoeda nativa do ecossistema Worldcoin, distribuída como recompensa a quem participa do escaneamento biométrico pelo Orb.
Lei Geral de Proteção de Dados brasileira, que regula como empresas podem coletar, armazenar e usar dados pessoais de cidadãos no país.
O MP estipulou R$ 240 milhões como reparação pelos danos coletivos causados pela coleta biométrica realizada no Brasil em 2024.
Preocupações com dados biométricos e criptomoedas
O caso acende um alerta sobre a combinação entre incentivos financeiros em cripto e a coleta de dados sensíveis. Especialistas em privacidade apontam que dados biométricos — como a íris — são permanentes e irrevogáveis: diferente de uma senha, não é possível “trocar” seus olhos caso essas informações sejam comprometidas.
O Brasil não é caso isolado
A Tools for Humanity já enfrentou restrições regulatórias em outros países, incluindo suspensões temporárias de operações na Espanha, Portugal e Alemanha, além de investigações na Índia e Quênia. O Brasil soma-se à lista de jurisdições que questionam juridicamente a legalidade da coleta biométrica em massa promovida pelo Worldcoin.
A ação do MP brasileiro representa um dos movimentos mais contundentes das autoridades nacionais contra uma empresa do setor cripto no que diz respeito à proteção de dados pessoais. O desfecho do processo pode criar precedentes importantes para a regulação de projetos que utilizem biometria associada a ativos digitais no país.
📰 Nota editorial
As informações deste artigo foram baseadas em reportagem publicada pela Exame.com. O KriptoHoje acompanhará o andamento do processo judicial e eventuais manifestações da Tools for Humanity às autoridades brasileiras.
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