Autoridades francesas emitiram uma ordem para que provedores de internet bloqueiem o acesso ao Polymarket, plataforma de mercados de previsão baseada em criptomoedas, exatamente nos dias que antecedem a maior final de Copa do Mundo já registrada pela indústria.
O governo da França determinou que as principais operadoras de internet do país restrinjam o acesso ao Polymarket, uma das maiores plataformas descentralizadas de mercados de previsão do mundo. A medida foi tomada dias antes da final da Copa do Mundo, evento que concentra os maiores volumes de apostas já registrados na história da plataforma.
Segundo a The Block, a ordem judicial impede que usuários localizados no território francês acessem a plataforma, cortando o acesso justamente no momento em que os mercados relacionados ao torneio atingem seu pico de liquidez e participação global.
O Polymarket opera sobre a blockchain da Polygon e utiliza stablecoins — principalmente o USDC — para liquidar apostas. Por funcionar de forma descentralizada, a plataforma não exige cadastro tradicional nem verificação de identidade na maioria dos mercados, o que historicamente complica sua adequação às legislações nacionais de jogos e apostas.
O que são mercados de previsão baseados em cripto?
Plataformas como o Polymarket permitem que qualquer pessoa do mundo apostem em desfechos de eventos reais — desde eleições e resultados esportivos até decisões regulatórias. Os participantes compram e vendem contratos que valem 1 dólar caso um determinado resultado se confirme, e zero caso contrário.
Por serem construídas sobre contratos inteligentes em redes públicas de blockchain, essas plataformas funcionam de forma autônoma: as regras são executadas automaticamente pelo código, sem necessidade de um intermediário central. Isso torna o bloqueio por provedores de internet uma das poucas ferramentas disponíveis para governos que desejam restringir o acesso.
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A França enquadra plataformas de apostas não licenciadas em sua legislação de jogos, obrigando provedores de internet a bloquear o acesso por ordem judicial.
Usuários de outros países não são afetados. O bloqueio é restrito ao território francês e depende do provedor de acesso utilizado.
A final da Copa do Mundo representa o maior mercado de evento único já criado no Polymarket, com dezenas de milhões de dólares em contratos abertos.
Por rodar em blockchain pública, o Polymarket não pode ser simplesmente “desligado”. Contornar o bloqueio via VPN permanece tecnicamente possível, embora sujeito às leis locais.
Regulação e descentralização: o impasse permanente
Este não é o primeiro embate entre o Polymarket e autoridades governamentais. Em 2022, a plataforma pagou uma multa de 1,4 milhão de dólares à Commodity Futures Trading Commission (CFTC), nos Estados Unidos, por operar mercados sem registro adequado, chegando a bloquear usuários americanos em seguida.
A tensão entre plataformas descentralizadas de apostas e reguladores nacionais tende a se intensificar à medida que os volumes crescem e a visibilidade pública aumenta. Eventos de grande audiência — como Copas do Mundo e eleições presidenciais — funcionam como catalisadores que atraem atenção regulatória.
Contexto: o que está em jogo na final
Segundo a The Block, os mercados relacionados à final da Copa do Mundo representam os maiores volumes de evento único já processados pelo Polymarket em toda a sua história. O bloqueio francês chega, portanto, no pior momento possível para os usuários locais que já participavam desses mercados.
📰 Nota editorial
As informações desta reportagem são baseadas na publicação original da The Block, veículo especializado em cobertura de criptomoedas e Web3. O KriptoHoje não confirma independentemente dados operacionais do Polymarket.
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