Da Argentina ao Brasil, trabalhadores recebem salários em stablecoins e empresas pagam fornecedores com dólares digitais. O movimento cresce rapidamente, mas os riscos envolvidos ainda são pouco compreendidos pela maioria dos usuários.
Um argentino que manteve o equivalente a US$ 10.000 em pesos em espécie entre 2016 e 2026 chegou ao fim da década com cerca de US$ 114 em valor real. A perda de quase 99% do poder de compra é emblemática e explica por que o dólar digital passou a ocupar o centro da vida financeira em grande parte da América Latina, segundo análise publicada pela BeInCrypto.
Nesse contexto, as stablecoins — criptomoedas cujo valor é atrelado ao dólar americano, como USDT e USDC — tornaram-se uma alternativa prática para preservar o poder de compra. Trabalhadores passaram a receber parte ou a totalidade dos salários nessas moedas digitais, enquanto empresas as utilizam para cobrar clientes e pagar fornecedores, reduzindo a exposição às moedas locais voláteis.
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O que são stablecoins e por que atraem os latino-americanos?
As stablecoins em dólar são tokens emitidos sobre redes blockchain que prometem manter paridade de 1:1 com o dólar americano. As mais populares na região são o USDT (Tether) e o USDC (Circle), ambas amplamente disponíveis em exchanges locais e aplicativos de pagamento.
Para populações que historicamente sofreram com inflação elevada, cortes de câmbio e restrições de acesso a contas em dólar, essas moedas digitais representam uma forma de dolarização informal — sem depender de bancos tradicionais ou de aprovação governamental.
Stablecoins em dólar permitem que usuários preservem poder de compra sem depender do sistema bancário tradicional ou das moedas locais vulneráveis.
Transações entre países da região ocorrem com mais rapidez e menor custo do que pelo sistema bancário convencional, beneficiando trabalhadores remotos e pequenos negócios.
Manter fundos em exchanges centralizadas expõe o usuário a falências, hacks e bloqueios de saques — como o mercado já viu com casos como o da FTX em 2022.
Governos da região ainda debatem como tributar e regular stablecoins, gerando insegurança jurídica para usuários e empresas que dependem desses ativos no dia a dia.
Os fundos estão realmente seguros?
Segundo a BeInCrypto, a segurança dos dólares digitais depende diretamente de onde e como eles são armazenados. Usuários que mantêm suas stablecoins em plataformas centralizadas — exchanges e aplicativos de pagamento — estão sujeitos aos riscos dessas empresas: falências, ataques cibernéticos e decisões unilaterais de congelamento de saques.
Já quem transfere os ativos para carteiras de autocustódia — como as hardware wallets — mantém o controle direto sobre as chaves privadas, eliminando o risco de terceiros. O princípio é simples: sem as suas chaves, os ativos não são tecnicamente seus.
O que é autocustódia?
Autocustódia significa armazenar seus criptoativos em uma carteira cujas chaves privadas pertencem exclusivamente a você. Uma hardware wallet é um dispositivo físico que mantém essas chaves offline, protegendo os fundos mesmo que o computador ou celular seja comprometido. É considerada a forma mais segura de guardar stablecoins e outras criptomoedas a longo prazo.
O crescimento do uso de dólares digitais na América Latina é orgânico e parte da base da população — não de grandes instituições. Esse movimento ascendente, como descrito pela BeInCrypto, reflete a busca por alternativas financeiras práticas em economias historicamente instáveis. Mas a educação sobre custódia segura ainda não acompanha a velocidade da adoção.
📰 Nota editorial
Esta reportagem é baseada em análise originalmente publicada pela BeInCrypto. O KriptoHoje reescreveu e contextualizou o conteúdo para o leitor brasileiro, sem reproduzir o texto original.
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