O Banco Central Europeu foi a público alertar que afrouxar as restrições sobre stablecoins denominadas em euro pode comprometer a estabilidade do sistema bancário e a eficácia da política monetária na zona do euro.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, enviou um alerta formal aos ministros de finanças da União Europeia: qualquer flexibilização nas regras que regulam as stablecoins em euro pode representar um risco concreto ao sistema financeiro do bloco. A informação foi reportada pela Reuters e confirmada pelo portal The Block.
A preocupação central do BCE está na possibilidade de que, se as stablecoins em euro passarem a circular com menos restrições, parte dos depósitos mantidos nos bancos tradicionais migre para esses ativos digitais. Isso reduziria a base de financiamento das instituições bancárias e tornaria mais difícil para o banco central transmitir suas decisões de taxa de juros para a economia real — um mecanismo conhecido como transmissão de política monetária.
Uma stablecoin é um tipo de criptomoeda cujo valor é atrelado a um ativo estável, como uma moeda fiduciária. No caso das stablecoins em euro, cada unidade equivale, em teoria, a um euro. Se você ainda não conhece o universo das criptomoedas, vale conferir nosso guia completo de criptomoedas para entender os conceitos fundamentais antes de acompanhar esse debate regulatório.
O que está em jogo na regulação europeia
Segundo a The Block, o alerta de Lagarde ocorre em meio a discussões internas na UE sobre possíveis ajustes ao regulamento MiCA (Markets in Crypto-Assets), que entrou em vigor em 2024 e estabelece um arcabouço jurídico para criptoativos no bloco, incluindo stablecoins. Parte dos ministros de finanças estaria avaliando tornar as condições de emissão e circulação dessas moedas digitais mais permissivas para estimular a inovação financeira europeia.
O BCE, no entanto, enxerga esse movimento com cautela. A instituição argumenta que depósitos bancários e stablecoins concorrem diretamente pelos recursos dos cidadãos e empresas. Se a stablecoin oferecer mais conveniência e menos burocracia, o dinheiro tende a migrar — e os bancos perdem liquidez.
Stablecoins mais acessíveis podem atrair depósitos que hoje ficam nos bancos tradicionais, reduzindo a base de financiamento das instituições financeiras europeias.
Se menos dinheiro circular pelo sistema bancário, as decisões de taxa de juros do BCE demoram mais para chegar às empresas e famílias, enfraquecendo a política monetária.
O regulamento MiCA, em vigor desde 2024, é o principal arcabouço legal cripto da UE. Modificá-lo envolve negociações complexas entre países-membros e instituições europeias.
O debate europeu acontece enquanto outros blocos, como os EUA, também discutem regras para stablecoins, criando pressão competitiva sobre a UE para não ficar para trás na corrida pela inovação financeira.
O que é transmissão de política monetária?
Quando o BCE sobe ou baixa os juros, os bancos repassam essa mudança para empréstimos, financiamentos e rendimentos de depósitos. Se menos dinheiro circular pelos bancos — migrando para stablecoins, por exemplo —, esse repasse se torna menos eficiente. O BCE perde parte do controle sobre as condições financeiras da economia da zona do euro.
O posicionamento do BCE reforça uma tensão crescente entre reguladores financeiros tradicionais e o avanço das finanças digitais na Europa. Por um lado, há pressão da indústria cripto e de alguns governos para criar um ambiente mais favorável à inovação. Por outro, autoridades monetárias como o BCE insistem que a estabilidade do sistema financeiro não pode ser colocada em segundo plano.
📰 Nota editorial
As informações desta reportagem são baseadas em dados publicados pela Reuters e reportados pelo portal The Block em julho de 2025. O KriptoHoje não teve acesso independente ao documento ou comunicação oficial enviada por Lagarde aos ministros de finanças europeus.
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