A exchange holandesa Knaken foi declarada falida por um tribunal em Rotterdam, em um dos primeiros casos de colapso diretamente ligado ao marco regulatório europeu MiCA — com suspeita de rombo de US$ 8 milhões.
Um tribunal na cidade de Rotterdam, nos Países Baixos, decretou a falência da corretora de criptomoedas Knaken no início desta semana. O caso chama atenção por ser um dos primeiros colapsos de exchange europeia ocorridos no contexto da entrada em vigor das regras do MiCA — o regulamento europeu de mercados de criptoativos —, que passou a exigir padrões mais rigorosos de segregação e custódia de recursos de clientes.
Segundo a BeInCrypto, promotores holandeses investigam a existência de um rombo de aproximadamente US$ 8 milhões nos fundos que deveriam estar disponíveis para os clientes da plataforma. A investigação apura se os recursos foram desviados, mal administrados ou simplesmente nunca foram segregados de forma adequada, como exige a legislação europeia.
A Knaken era uma corretora de varejo com foco no mercado holandês, permitindo que usuários comprassem e vendessem Bitcoin e outras criptomoedas de forma simplificada. Com a falência decretada, clientes que mantinham saldos na plataforma agora enfrentam incertezas sobre a recuperação de seus ativos.
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O que é o MiCA e por que ele importa
O Markets in Crypto-Assets Regulation, conhecido pela sigla MiCA, é o primeiro grande arcabouço regulatório unificado da União Europeia para o setor de criptoativos. Em vigor desde o final de 2024, ele estabelece obrigações claras para exchanges e prestadores de serviços, incluindo regras rígidas sobre como os fundos dos clientes devem ser mantidos e protegidos.
O caso Knaken ilustra exatamente o tipo de risco que o MiCA pretende mitigar: plataformas que operam sem a devida separação entre o capital próprio da empresa e os recursos depositados pelos usuários. Quando a empresa enfrenta dificuldades financeiras, esses fundos podem desaparecer junto com o negócio.
Decretou formalmente a falência da Knaken, dando início ao processo de liquidação e nomeação de administradores judiciais.
Promotores investigam o paradeiro de aproximadamente US$ 8 milhões que deveriam estar custodiados em nome dos clientes da plataforma.
O regulamento europeu obriga exchanges a segregar os recursos dos clientes e manter reservas adequadas, sob risco de sanções e perda de licença.
Usuários com saldos na Knaken aguardam o desfecho do processo judicial para saber se — e quanto — poderão recuperar de seus depósitos.
Custódia própria: a lição que o caso Knaken reforça
Casos como o da Knaken reacendem o debate sobre os riscos de manter criptoativos em exchanges. Quando uma plataforma vai à falência, os ativos dos clientes podem ser tratados como parte da massa falida — dificultando ou até inviabilizando a recuperação. A alternativa mais segura, segundo especialistas em segurança digital, é a custódia própria, feita por meio de hardware wallets físicas que mantêm as chaves privadas sob total controle do usuário.
📰 Nota editorial
As informações deste artigo são baseadas em reportagem publicada pela BeInCrypto. O processo judicial ainda está em andamento e os valores citados referem-se a estimativas investigativas das autoridades holandesas, sem condenação definitiva até o momento da publicação.
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