Organizações criminosas movimentaram quase R$ 1 trilhão em criptoativos apenas em 2025, segundo novo relatório. O dado expõe a crescente sofisticação do crime no uso de moedas digitais para lavar recursos.
O uso de criptomoedas para fins ilícitos atingiu um novo patamar preocupante em 2025. Segundo dados divulgados pela InfoMoney, organizações criminosas movimentaram um volume próximo a R$ 1 trilhão em ativos digitais ao longo do ano — um número que coloca o Brasil e a América Latina no centro das atenções de reguladores e autoridades internacionais.
O levantamento aponta uma convergência entre diferentes tipos de crime: redes de tráfico de drogas, grupos que operam em esquemas de evasão de sanções internacionais e organizações de alcance transnacional passaram a usar criptoativos como ferramenta central para mover e ocultar recursos. A facilidade de transferências entre fronteiras, sem necessidade de intermediários tradicionais, é um dos fatores que tornam as criptomoedas atraentes para esses fins.
Para quem está começando a entender o universo das moedas digitais, é importante saber que a tecnologia em si não é criminosa — o problema está no uso que alguns agentes fazem dela. Confira o guia completo de criptomoedas para entender como esse mercado funciona na prática.
Como o crime usa criptomoedas para lavar dinheiro
Segundo a InfoMoney, o relatório que embasou os dados descreve técnicas cada vez mais sofisticadas. Entre os métodos mais utilizados estão o uso de exchanges sem verificação de identidade (KYC), a mistura de fundos por meio de protocolos descentralizados e a conversão rápida entre diferentes criptomoedas para dificultar o rastreamento pelas autoridades.
Ferramentas que embaralham a origem dos fundos são usadas para dificultar o rastreamento por analistas de blockchain e autoridades fiscais.
Plataformas de troca que não exigem verificação de identidade permitem movimentações anônimas, tornando a rastreabilidade dos recursos muito mais difícil.
Grupos e países sancionados utilizam criptoativos para contornar bloqueios financeiros impostos pelo sistema bancário tradicional global.
Organizações ligadas ao tráfico de drogas passaram a integrar criptomoedas em suas operações financeiras para mover lucros entre países sem acionar alarmes bancários.
Brasil no centro das atenções regulatórias
O país ocupa posição de destaque como maior mercado de criptomoedas da América Latina, o que o coloca naturalmente no radar tanto de investidores legítimos quanto de agentes mal-intencionados. O volume de transações no Brasil cresceu de forma expressiva nos últimos anos, e os órgãos de fiscalização — como a Receita Federal e o Banco Central — têm ampliado suas exigências de reporte sobre criptoativos.
Blockchain rastreia — mas exige esforço
Ao contrário do dinheiro em espécie, todas as transações em blockchain são públicas e permanentes. Empresas especializadas em análise de dados on-chain, como Chainalysis e Elliptic, colaboram com governos para identificar carteiras suspeitas. O desafio está na velocidade com que o crime adota novas técnicas de ofuscação.
A regulação do setor no Brasil avançou com o Marco Legal das Criptomoedas, em vigor desde 2023, que obriga exchanges a seguirem regras de prevenção à lavagem de dinheiro. Ainda assim, especialistas apontam que lacunas persistem, especialmente em operações que cruzam múltiplas jurisdições com diferentes níveis de controle regulatório.
📌 Nota editorial
Os dados citados nesta reportagem têm como base matéria publicada pela InfoMoney, que por sua vez referencia relatório especializado em monitoramento de fluxos financeiros ilícitos em criptoativos. O KriptoHoje não teve acesso direto ao relatório original e reproduz as informações com base na cobertura jornalística disponível.
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