As perdas por hacks em finanças descentralizadas caíram cerca de 80% entre 2022 e 2024 — mas um novo tipo de vulnerabilidade preocupa especialistas: um único ataque capaz de comprometer seis blockchains ao mesmo tempo.
O ecossistema de finanças descentralizadas (DeFi) passou por uma transformação significativa em termos de segurança nos últimos anos. Segundo análise publicada pela CryptoSlate, um levantamento das perdas de protocolos entre 2020 e 2025 mostra que os prejuízos do setor atingiram o pico de US$ 2,62 bilhões em 2022 e recuaram aproximadamente 80% até 2024, chegando a US$ 534 milhões.
Os chamados hacks em bridges — pontes que conectam diferentes blockchains — foram responsáveis por alguns dos maiores roubos da história do setor, gerando perdas bilionárias em episódios isolados. Com a maturação dos protocolos e maior atenção à segurança, esse vetor clássico de ataque perdeu força. Auditorias mais rigorosas, programas de recompensa por bugs e maior experiência dos desenvolvedores contribuíram para reduzir as brechas mais exploradas no passado.
Ainda assim, a queda nas perdas não significa ausência de risco. Pelo contrário: à medida que as vulnerabilidades antigas são corrigidas, surgem novos vetores de ataque — e o mais preocupante identificado na análise é justamente o que opera em uma escala muito maior do que os exploits anteriores.
O risco que atravessa múltiplas redes ao mesmo tempo
De acordo com a CryptoSlate, o novo vetor de risco mais relevante identificado no relatório é capaz de atingir até seis blockchains simultaneamente. Trata-se de vulnerabilidades em camadas de infraestrutura compartilhada — como bibliotecas de código amplamente reutilizadas, padrões de contratos inteligentes adotados em múltiplas redes e dependências de terceiros presentes em vários ecossistemas ao mesmo tempo.
Diferente dos hacks tradicionais, que miravam um protocolo ou uma bridge específica, esse tipo de ataque pode se propagar de forma encadeada. Uma única falha em um componente compartilhado pode ser explorada de maneira coordenada — ou até automatizada — em diversas redes sem que os times de segurança de cada projeto tenham tempo hábil de reagir.
📊 Perdas do DeFi em números
Segundo o levantamento citado pela CryptoSlate, as perdas totais do setor DeFi por exploits e hacks saíram de US$ 2,62 bilhões em 2022 para US$ 534 milhões em 2024 — uma redução de aproximadamente 80% em dois anos. Apesar do avanço, especialistas alertam que o novo perfil de ataque exige uma resposta coordenada entre projetos de diferentes blockchains.
Auditorias mais rigorosas, programas de bug bounty consolidados e maior experiência dos desenvolvedores reduziram drasticamente os exploits clássicos em contratos inteligentes e bridges.
Infraestruturas compartilhadas entre redes criam superfícies de ataque sistêmicas. Uma falha em um componente comum pode ser explorada de forma simultânea em múltiplas blockchains.
As pontes entre blockchains foram responsáveis por bilhões em perdas nos anos anteriores. Com melhorias de design e auditorias, esse vetor perdeu relevância como principal fonte de prejuízo.
A nova ameaça exige que projetos de diferentes ecossistemas atuem de forma colaborativa, compartilhando informações sobre vulnerabilidades antes que sejam exploradas.
O cenário reforça uma lição conhecida do setor: segurança em cripto não é um estado permanente, mas um processo contínuo. À medida que o mercado amadurece e os ataques mais óbvios são bloqueados, agentes mal-intencionados migram para superfícies mais sofisticadas e de maior impacto potencial.
🔐 Como proteger seus ativos
Independentemente dos riscos nos protocolos DeFi, a custódia dos próprios ativos segue sendo a camada de proteção mais importante para o investidor individual. Leia também: como blindar suas criptomoedas contra roubos.
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