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Golpe usa infraestrutura de e-mail da Trezor para alegar falha inexistente nos chips STM32 e roubar seeds

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Duas fabricantes de carteiras de hardware foram usadas na mesma campanha, no mesmo dia, com e-mails que passaram por todas as verificações de autenticidade. A Trezor confirmou a invasão do provedor terceirizado de envio. A análise dos cabeçalhos aponta uma plataforma de disparo em comum entre os dois casos.

Publicado em 9 de setembro de 2026, às 17h20 (horário de Brasília). Atualizado em 9 de setembro de 2026, às 19h30, com a confirmação da Trezor, o caso da BitBox e a análise da plataforma de envio.

Clientes da KriptoBR

Os sistemas e a base de clientes da KriptoBR não foram atingidos. O incidente ocorreu na plataforma de disparo de e-mails da fabricante, fora da estrutura da revenda. A comunicação da KriptoBR com seus clientes roda em infraestrutura própria e em plataforma distinta da envolvida no episódio.

Os dados de quem compra na KriptoBR também não estavam no vazamento da ShipMonk, divulgado em agosto. A KriptoBR importa em nome próprio e despacha de São Paulo, de modo que os pedidos feitos no Brasil não passam pela operadora logística contratada pela fabricante no exterior.

Isso não significa que nenhum cliente tenha recebido a mensagem. Quem se cadastrou diretamente no site da fabricante ou assinou as notificações de segurança dela pode ter recebido o e-mail em sua caixa de entrada, independentemente de onde comprou o aparelho. Receber a mensagem não representa risco. O risco existe apenas para quem clicou no link e digitou a frase de recuperação. Até o fechamento desta atualização, a KriptoBR não recebeu nenhum relato nesse sentido.

Atualização

A Trezor se manifestou publicamente e confirmou a invasão do provedor terceirizado responsável pelo envio de seus e-mails. A empresa afirmou que a mensagem não partiu dela, classificou o episódio como tentativa de phishing, orientou que nenhum link seja clicado e informou que o domínio usado no golpe já foi derrubado.

Horas antes, a BitBox, fabricante suíça da BitBox02, já havia alertado sobre uma mensagem quase idêntica enviada em seu nome. A apuração da KriptoHoje identificou que os dois disparos saíram pela mesma plataforma de e-mail marketing.

Uma campanha de phishing começou a circular na tarde desta quarta-feira, 9 de setembro de 2026, com mensagens que se apresentam como comunicados oficiais de fabricantes de carteiras de hardware sobre uma suposta falha crítica nos microcontroladores usados nos aparelhos. Na versão enviada em nome da Trezor, o assunto é “Critical Security Alert: STM32 Entropy Vulnerability”, e o texto afirma que o defeito reduziria a aleatoriedade da frase de recuperação para 40 bits de entropia, com o problema presente em cerca de 1 a cada 4 aparelhos fabricados.

Nada disso é verdade. A arquitetura de geração de chaves dos dois fabricantes torna o cenário descrito matematicamente impossível, e o único objetivo dos e-mails é levar a vítima a uma página que solicita a frase de recuperação sob o pretexto de uma verificação de segurança.

O que torna este caso diferente dos golpes habituais é a origem das mensagens. Elas saíram da infraestrutura de envio legítima das próprias fabricantes, com todos os mecanismos de autenticação de e-mail aprovados, e por isso passaram pelos filtros de provedores como o Gmail sem qualquer aviso de risco.

A KriptoHoje teve acesso ao arquivo original da mensagem enviada em nome da Trezor, com cabeçalhos completos, encaminhado por um leitor no Brasil. A análise técnica foi feita em conjunto com a equipe da KriptoBR, revenda oficial e importadora direta da Trezor no país.

O que a Trezor confirmou

Em publicação no perfil oficial no X na tarde desta quarta-feira, a fabricante reconheceu que o provedor terceirizado de e-mail contratado pela empresa foi comprometido. A mensagem identificada pelo assunto “Critical Security Alert: STM32 Entropy Vulnerability”, segundo a companhia, “não vem de nós, e é uma tentativa de phishing”. A orientação é direta: não clicar em nenhum link.

A empresa acrescentou que o domínio utilizado na fraude já foi retirado do ar e que investiga o episódio, incluindo a forma como os atacantes conseguiram acesso ao domínio legítimo de disparo. Não houve, até o momento, identificação pública de qual provedor foi invadido, nem detalhamento sobre quantos endereços receberam a mensagem ou se dados de assinantes foram extraídos além do uso da lista para envio.

A BitBox foi atingida pela mesma campanha

A fabricante suíça BitBox, da Shift Crypto, alertou no mesmo dia sobre uma mensagem enviada em seu nome com estrutura praticamente idêntica. Um levantamento técnico publicado pelo site suíço yourdevice.ch, que recebeu a mensagem e analisou os cabeçalhos, detalhou o caso.

A versão da BitBox trazia o assunto “Critical Security Alert: Microcontroller Entropy Vulnerability”, endereço de resposta no domínio da Shift Crypto e a mesma alegação de defeito de fábrica no microcontrolador, desta vez descrito como algo que tornaria o gerador de aleatoriedade determinístico. O link levava ao mesmo tipo de ferramenta de verificação de entropia, e a página de destino pedia as palavras de recuperação e a passphrase. As versões de firmware citadas na mensagem estavam todas obsoletas, várias gerações atrás da série atual, um deslize que uma advisory real não cometeria.

Assim como no caso brasileiro, o e-mail da BitBox passou por SPF, DKIM e DMARC, com assinatura válida para o domínio bitbox.swiss e política de rejeição aprovada. Não se trata de falsificação de remetente nem de domínio parecido.

O ponto em comum: a plataforma de disparo

Comparados lado a lado, os dois cabeçalhos revelam um conjunto de coincidências difícil de atribuir ao acaso.

O que os dois disparos têm em comum

Mesma data. Ambos em 9 de setembro de 2026, com poucas horas de diferença.

Mesmo modelo de assunto. “Critical Security Alert:” seguido do nome do componente e da expressão “Entropy Vulnerability”.

Mesma narrativa. Defeito de fábrica no microcontrolador degradando a geração de aleatoriedade da frase de recuperação.

Mesmo isco. Link para uma suposta ferramenta de verificação de entropia, acompanhado da instrução de usar a visualização no navegador caso o cliente de e-mail bloqueie o link.

Mesmo seletor DKIM. As assinaturas dos dois envios usam o seletor “mail” nos respectivos domínios.

Mesma plataforma de envio. Na amostra da Trezor, os cabeçalhos trazem marcadores de campanha e de cliente da Sendinblue, hoje Brevo, além de assinatura para um domínio operado pela plataforma. Na amostra da BitBox, o caminho de envio e o identificador de lista também apontam para servidores da Brevo.

A convergência levanta uma hipótese que vai além de duas contas invadidas em separado: a de que o comprometimento tenha ocorrido em nível de plataforma. É a leitura que começou a circular entre desenvolvedores nas respostas ao alerta da BitBox no X, onde a observação de que a assinatura DKIM estava válida levou à pergunta direta sobre se o servidor da fabricante ou a conta na Brevo teriam sido invadidos.

É importante separar o que está verificado do que ainda é hipótese. Está verificado que as duas mensagens saíram por servidores da Brevo e que ambas carregavam assinaturas válidas dos domínios das fabricantes. Está confirmado pela Trezor que seu provedor terceirizado foi invadido. Não está estabelecido que a Brevo, como empresa, tenha sofrido uma invasão em sua infraestrutura. Duas contas de clientes distintos podem ter sido tomadas separadamente, por exemplo por credenciais vazadas ou por comprometimento de chaves de API, sem que a plataforma em si tenha sido violada.

A KriptoHoje procurou a Brevo para esclarecer se há investigação em curso sobre acessos indevidos a contas de clientes e se outras empresas do setor foram afetadas. Também procuramos a SatoshiLabs e a Shift Crypto. Esta matéria será atualizada conforme houver retorno.

Se a hipótese de comprometimento em nível de plataforma se confirmar, o alcance do episódio é muito maior do que duas listas de assinantes. Qualquer empresa que use a mesma plataforma com domínio autenticado poderia ter seus e-mails falsificados com assinatura válida. Empresas do setor de criptomoedas que usam plataformas de e-mail marketing com autenticação de domínio deveriam, por precaução, revisar hoje os registros de envio, rotacionar chaves de API e revisar acessos de usuários.

A contradição que entrega o golpe

Mesmo antes das confirmações oficiais, o elemento mais revelador da mensagem estava no próprio corpo do texto. Em negrito, o e-mail instrui o leitor a nunca digitar a frase de recuperação em um site nem compartilhá-la com ninguém. Poucas linhas depois, na seção que descreve o que a suposta ferramenta de verificação faz, aparece a lista de recursos oferecidos.

O que o e-mail promete verificar

Falhas de checksum BIP-39 em frases de 12, 18 ou 24 palavras e validação de shares SLIP-39 de 20 ou 33 palavras.

O que isso exige na prática

A frase de recuperação completa, digitada em um site. Não existe forma de validar um checksum BIP-39 sem as palavras.

Validar o checksum de uma frase BIP-39 significa recalcular o hash dos bits de entropia e comparar com os bits finais codificados na última palavra. Sem as palavras, não há o que verificar. O mesmo vale para a validação de shares SLIP-39, o esquema de backup dividido usado no Multi-share Backup da Trezor. A ferramenta anunciada só pode funcionar se receber exatamente aquilo que o e-mail, duas linhas acima, diz que nunca deve ser entregue.

O quarto item da lista completa o quadro: exportação de chave pública estendida, a xPub, para “verificação em carteira online”. A xPub não move fundos, mas revela todo o histórico de endereços e saldos de uma conta. Em campanhas desse tipo, ela costuma servir para triagem, ou seja, identificar quais vítimas têm saldo relevante antes de escalar o ataque. Na variante da BitBox, a página de destino ia além e pedia também a passphrase.

Por que 40 bits de entropia é impossível

A alegação central dos e-mails depende de uma premissa falsa: a de que a frase de recuperação nasce apenas da aleatoriedade gerada dentro do dispositivo. Não é assim que esses aparelhos funcionam, e nunca foi. Ambos os fabricantes projetaram a geração de chaves justamente para sobreviver à falha de uma fonte de aleatoriedade.

Na documentação pública da Trezor, o Model One e o Model T combinam duas fontes independentes de entropia: o gerador de números aleatórios por hardware do próprio microcontrolador STM32 e a entropia fornecida pelo computador ou celular ao qual o aparelho está conectado. O Safe 3 e o Safe 5 acrescentam uma terceira fonte, o secure element Optiga. O Safe 7 acrescenta uma quarta, o chip TROPIC01.

O segredo final é derivado da combinação criptográfica dessas fontes. Uma auditoria independente do código-fonte da Trezor, publicada em 31 de julho de 2026, descreve o resultado como SHA-256 da entropia do dispositivo concatenada com 32 bytes fornecidos pelo gerador criptográfico do sistema operacional do host. A consequência prática é direta: mesmo que o gerador do STM32 falhasse por completo e devolvesse apenas zeros, a entropia do host permaneceria intacta e a seed continuaria com força total. Não há caminho aritmético que leve essa construção a 40 bits.

O modelo de ameaças da BitBox descreve arquitetura equivalente, combinando aleatoriedade do microcontrolador, do chip seguro, uma componente gerada em fábrica, a entropia do computador conectado e a senha do dispositivo. A lógica de projeto é a mesma nos dois casos, e existe exatamente porque aleatoriedade não pode ser verificada de fora.

Desde os firmwares 2.8.7 e 1.13.1, a Trezor implementa um protocolo de verificação de entropia por compromisso e revelação. O dispositivo se compromete com sua parcela de aleatoriedade antes de ver a do host, e o Trezor Suite confere, ainda durante a criação da carteira, se a mistura ocorreu como especificado. A funcionalidade roda por padrão. O golpe sequestra o nome de um recurso legítimo para dar credibilidade à fraude.

Há ainda o problema de escala. Um defeito de fábrica presente em 1 a cada 4 unidades de uma família de microcontroladores usada em milhões de produtos industriais, automotivos e médicos não seria um incidente de uma fabricante de carteiras. Seria um evento global de segurança envolvendo a fabricante do chip. Some-se a isso o fato de o firmware das duas empresas ser de código aberto e auditável por qualquer pessoa, e a alegação perde qualquer sustentação.

A escolha do tema também não foi aleatória. A falha real de geração de aleatoriedade divulgada pela Coldcard em 30 de julho de 2026 colocou o assunto entropia em evidência no setor, e as duas fabricantes publicaram na sequência comunicados explicando por que seus produtos não eram afetados. O golpista pegou uma discussão técnica legítima e em alta e a converteu em pretexto.

O termo STM32, por sua vez, carrega credibilidade emprestada de pesquisas reais. Trabalhos da Ledger Donjon em 2019, da Kraken Security Labs em 2020 e da Unciphered em 2023 demonstraram extração de memória por injeção de falha de voltagem nesses chips. São ataques que exigem posse física do aparelho, abertura do invólucro e equipamento de bancada, e não têm relação alguma com geração de entropia. Uma passphrase forte neutraliza essa classe de ataque, e a linha Safe a endereçou com secure elements certificados EAL6+.

Por que o e-mail passou pelos filtros

Na amostra analisada pela KriptoHoje, os mecanismos de autenticação de e-mail não acusaram problema algum. É o que explica a mensagem ter chegado à caixa de entrada principal, sem alerta de risco.

Autenticação

SPF aprovado, DKIM aprovado para o domínio da fabricante e para o domínio da plataforma de disparo, DMARC aprovado com política de rejeição.

Origem

Subdomínio de envio da própria fabricante, com marcadores de plataforma de e-mail marketing e identificador de campanha.

Remetente exibido

Nome da equipe de segurança da fabricante, com endereço no domínio oficial e resposta direcionada a outro endereço do mesmo domínio.

Destino dos links

Todos passavam pelo domínio de rastreamento da própria fabricante antes do redirecionamento final para a página fraudulenta, hoje derrubada.

Com acesso à conta de disparo, o atacante não precisa falsificar nada. Ele usa a chave de assinatura legítima, os domínios legítimos e a lista legítima de assinantes. O resultado é um phishing que atravessa SPF, DKIM e DMARC sem esforço.

A lição prática para o leitor é a mais importante desta matéria: autenticação de e-mail aprovada não é atestado de autenticidade de conteúdo. SPF, DKIM e DMARC provam que a mensagem saiu de um servidor autorizado a falar por aquele domínio. Não provam quem escreveu o texto nem se a conta de envio estava sob controle de quem deveria. O conselho tradicional de conferir o remetente perde utilidade quando a assinatura é válida. Resta o conteúdo como critério, e ele é confiável: qualquer pedido para digitar ou submeter a frase de recuperação em algum lugar é ataque, sem exceção, independentemente de quem assina a mensagem.

O contexto: por que agora e por que essa base de vítimas

A campanha não surgiu no vácuo. Ela chega no auge de uma sequência de exposições de dados que colocou dezenas de milhares de compradores de carteiras de hardware em listas de alvos qualificados, e o Brasil está entre os países atingidos.

Linha do tempo

30 de julho de 2026
A Coinkite divulga uma falha real de geração de aleatoriedade em determinadas versões de firmware da Coldcard. Trezor e BitBox publicam comunicados explicando por que seus produtos não são afetados. O tema entropia entra em evidência no setor.

10 de agosto de 2026
A ShipMonk, operadora logística que despacha aparelhos Trezor no exterior, detecta acesso não autorizado a seus sistemas.

13 de agosto de 2026
A SatoshiLabs comunica o vazamento a cerca de 13.689 clientes em sete países, entre eles o Brasil, ao lado de Estados Unidos, Reino Unido, Suécia, Colômbia, Itália e Portugal. Foram expostos nome, e-mail, telefone e endereço de entrega de 11.742 compradores, além de nome, cidade e e-mail de outros 1.947.

25 de agosto de 2026
A Trezor confirma publicamente uma nova onda de phishing e aponta que os atacantes combinam dados de vazamentos de diferentes serviços de criptomoedas. Uma das variantes já falava em suposta vulnerabilidade crítica de entropia no firmware, com queda de 128 para 40 bits.

4 de setembro de 2026
Segundo comunicado amplia o alcance do vazamento da ShipMonk: mais 67 mil clientes nos Estados Unidos, de pedidos entre novembro de 2019 e agosto de 2021. O total sobe para cerca de 80.689 pessoas.

8 de setembro de 2026
Reportagem do Help Net Security registra clientes recebendo ligações fraudulentas e cartas físicas com QR Code nos mesmos endereços usados nos pedidos.

9 de setembro de 2026
Sai o disparo em nome da BitBox, seguido do disparo em nome da Trezor, que chega inclusive a caixas de entrada no Brasil. As duas fabricantes alertam sobre a fraude. A Trezor confirma a invasão do provedor terceirizado de e-mail e derruba o domínio usado no golpe.

A evolução da narrativa é o dado mais preocupante. A versão de agosto responsabilizava uma atualização de firmware de 2021, o que limitava o público-alvo. A versão de setembro fala em defeito de fábrica, sem recorte confiável de modelo ou data, e acrescenta que dispositivos mais novos também podem estar afetados. O objetivo é claro: fazer com que qualquer pessoa que tenha uma carteira de hardware se sinta na faixa de risco.

O histórico do setor com fornecedores terceirizados também pesa. Em 2022, um comprometimento na plataforma de newsletter usada pela Trezor permitiu o envio de e-mails maliciosos a assinantes reais, e um vazamento na ActiveCampaign expôs contatos da BitBox. Em janeiro de 2024, um incidente em um fornecedor de suporte da Trezor expôs dados de cerca de 66 mil usuários. Em junho de 2025, atacantes abusaram do formulário de contato da fabricante para que respostas automáticas legítimas carregassem conteúdo de golpe. Em nenhum desses casos o dispositivo foi comprometido. A superfície de ataque está, de forma consistente, na cadeia de fornecedores ao redor do produto.

Os sinais que identificam a mensagem

Urgência fabricada

Expressões como “não ignore esta verificação” e “ação imediata necessária” existem para encurtar o tempo de reflexão.

Ação fora do canal oficial

Toda operação legítima de segurança acontece dentro do aplicativo da fabricante, com o aparelho conectado, nunca em uma página aberta pelo navegador a partir de um link.

Instrução para insistir no link

Os dois e-mails orientam usar “ver no navegador” caso o cliente de e-mail bloqueie o link. Uma empresa legítima não ensina a contornar o filtro de segurança do usuário.

Versões e números que não fecham

Firmwares obsoletos citados como atuais e proporções redondas como “1 a cada 4 aparelhos” são sinais de texto inventado, não de advisory técnica.

Alvo final: a seed

Qualquer fluxo que termine com a digitação da frase de recuperação ou da passphrase, seja qual for a justificativa, é fraude. Sem exceção.

O que fazer

Para quem apenas recebeu a mensagem e não interagiu, não há ação necessária além de apagar o e-mail. Não é preciso gerar nova seed, migrar fundos ou atualizar nada por causa dessa alegação. Vale reforçar a atenção com ligações e correspondências físicas, já que o vazamento da ShipMonk incluiu telefone e endereço de compradores brasileiros.

Para quem clicou no link mas não digitou nada, o risco é baixo, e o domínio já foi derrubado. Recomenda-se fechar a página, limpar dados do site no navegador e não retornar a ele.

Para quem digitou a frase de recuperação, a situação é de emergência.

A carteira deve ser considerada comprometida a partir do instante em que a última palavra foi enviada. Ataques desse tipo costumam ser automatizados e drenam fundos em minutos. O fato de o domínio ter sido derrubado depois não reverte o que já foi capturado.

O procedimento é gerar uma carteira inteiramente nova, em um dispositivo confiável, com uma frase de recuperação nova, e transferir os fundos para os novos endereços com a maior brevidade possível. A frase antiga precisa ser tratada como pública e nunca mais reutilizada, inclusive em outras marcas de carteira.

Quem tem dúvida sobre a força da própria seed pode usar o recurso legítimo de verificação de entropia da Trezor, disponível dentro do Trezor Suite durante a criação da carteira. Ele roda no dispositivo, com o aparelho conectado, e em nenhum momento pede que as palavras sejam digitadas em um site.

Uma recomendação adicional para os próximos dias: como as listas de assinantes podem ter sido acessadas, mensagens em nome de fabricantes de carteiras devem ser tratadas com desconfiança redobrada até que o escopo do incidente seja detalhado, mesmo quando chegarem com remetente aparentemente correto.

Posição da KriptoBR

A KriptoBR, revenda oficial e importadora direta da Trezor no Brasil desde 2017, informou à KriptoHoje que entrou em contato com a fabricante assim que a mensagem foi identificada, solicitando esclarecimento sobre a origem do disparo e sobre eventual comprometimento da conta de e-mail marketing. Até o fechamento desta atualização, a empresa não havia recebido retorno direto ao contato, e as informações disponíveis são as divulgadas publicamente pela fabricante em seus canais oficiais.

A revenda reforça que nenhum aparelho vendido no Brasil apresenta a falha descrita no e-mail, que a alegação de 40 bits de entropia não tem sustentação técnica, e que nenhuma comunicação oficial da Trezor ou da KriptoBR pedirá em qualquer circunstância a frase de recuperação, o PIN ou a passphrase do cliente, por e-mail, telefone, mensagem ou formulário.

Clientes que tenham dúvida sobre alguma mensagem recebida podem encaminhá-la ao atendimento da KriptoBR para verificação antes de tomar qualquer ação.

🔍 Verificações feitas

Ancoragem temporal: todos os fatos e datas referem-se a 2026, com dia e mês explícitos.

Dados voláteis: números de clientes afetados e datas de comunicados referem-se aos comunicados de 13 de agosto e 4 de setembro de 2026 e à reportagem de 8 de setembro de 2026. O escopo da invasão do provedor de e-mail ainda não foi quantificado e pode ser revisado.

Separação entre fato e hipótese: está verificado que os dois disparos passaram por servidores da mesma plataforma de e-mail marketing e que ambos traziam assinatura DKIM válida. A hipótese de comprometimento em nível de plataforma está identificada como hipótese e não como fato apurado, e a empresa foi procurada para comentar.

Consistência de moeda: não há valores monetários nesta matéria.

Atribuição de fontes: publicações oficiais da Trezor e da BitBox no X em 9 de setembro de 2026; levantamento técnico do site yourdevice.ch sobre os cabeçalhos do disparo em nome da BitBox, publicado em 9 de setembro de 2026; documentação pública da Trezor sobre entropia e geração de carteira; modelo de ameaças da BitBox; auditoria independente de código-fonte publicada em 31 de julho de 2026; publicação da Trezor no X em 25 de agosto de 2026; comunicados da SatoshiLabs sobre o incidente na ShipMonk e cobertura da CoinDesk de 13 de agosto de 2026; reportagem do Help Net Security de 8 de setembro de 2026; pesquisas da Ledger Donjon, da Kraken Security Labs e da Unciphered sobre a família STM32; e análise direta dos cabeçalhos da amostra recebida por esta redação.

Segurança editorial: os endereços de destino dos links maliciosos foram deliberadamente omitidos e nenhuma URL da campanha é reproduzida nesta matéria.

Aviso: este conteúdo tem caráter jornalístico e informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptoativos envolvem risco de perda total do capital. Avalie sua situação e, se necessário, procure orientação profissional.

Transparência: a KriptoHoje é um portal editorial mantido pela KriptoBR, revenda oficial de carteiras de hardware no Brasil. A independência editorial é preservada, e a análise técnica desta matéria pode ser verificada de forma independente na documentação pública das fabricantes.

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Reportagem produzida com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas do setor e revisada pela equipe da KriptoBR antes da publicação. Como produzimos nosso conteúdo.
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