Cibercriminosos conseguiram extrair criptoativos de dispositivos Coldcard completamente desconectados da internet — um feito considerado praticamente impossível até então e que reacendeu o debate sobre segurança em hardware wallets.
Um ataque cibernético direcionado a usuários da Coldcard, uma das hardware wallets mais utilizadas por detentores avançados de Bitcoin, ganhou repercussão internacional após relatos de que criminosos teriam conseguido acessar fundos armazenados em dispositivos sem qualquer conexão à internet. O episódio é considerado inédito pelo mercado e levantou questionamentos sérios sobre os limites do chamado air gap — técnica que isola fisicamente um dispositivo de redes externas.
Segundo a Exame, a movimentação abalou o mercado de criptoativos e trouxe à tona vulnerabilidades que especialistas ainda estão investigando. Até o momento, não há consenso sobre o vetor exato do ataque, mas as hipóteses levantadas por pesquisadores de segurança apontam para falhas na cadeia de suprimentos, engenharia social ou exploração de vulnerabilidades no processo de assinatura de transações.
A Coldcard é fabricada pela empresa canadense Coinkite e é amplamente reconhecida pelo foco em segurança extrema. O dispositivo opera de forma totalmente offline, sem Bluetooth ou Wi-Fi, o que tornava o cenário de um ataque remoto bem-sucedido praticamente improvável para grande parte da comunidade técnica.
O que se sabe até agora
Investigadores ainda apuram os vetores do ataque, mas as principais hipóteses incluem comprometimento durante a fabricação ou distribuição do dispositivo (supply chain attack), manipulação de arquivos PSBT usados na assinatura offline de transações e possível engenharia social contra os próprios usuários. A Coinkite ainda não confirmou oficialmente uma falha em seu firmware.
O formato de ataque mais discutido envolve a manipulação de arquivos de transação que transitam entre o dispositivo offline e um computador conectado — geralmente via cartão microSD ou QR code. Se um desses arquivos for adulterado por um agente malicioso antes de chegar ao dispositivo, a assinatura pode ser redirecionada para um endereço controlado pelo atacante sem que o usuário perceba a troca.
Esse tipo de vetor reforça que a segurança de uma hardware wallet não depende apenas do dispositivo em si, mas também de todo o ambiente ao redor: o computador utilizado para construir a transação, o software de carteira, o meio físico de transferência e, principalmente, a atenção do usuário ao verificar endereços antes de confirmar qualquer operação.
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Comprometimento do dispositivo antes mesmo de chegar ao usuário final, durante fabricação ou transporte — uma das hipóteses mais investigadas.
Arquivos de transação parcialmente assinados (PSBT) podem ser alterados no computador host para redirecionar fundos sem que o usuário perceba.
Manipulação direta do usuário para que ele confirme transações fraudulentas, explorando a confiança depositada no dispositivo.
Malware no computador utilizado para construir transações pode interceptar dados antes mesmo de chegarem ao dispositivo offline.
A repercussão do caso também acendeu um alerta para a necessidade de os usuários verificarem sempre o endereço de destino diretamente na tela do dispositivo, e não apenas no computador. A conferência do endereço na própria hardware wallet é uma das práticas de segurança mais básicas — e frequentemente negligenciadas.
📌 Nota Editorial
As informações deste artigo são baseadas na cobertura publicada pela Exame. As investigações sobre o ataque ainda estão em andamento. A Coinkite não emitiu, até o fechamento desta publicação, uma declaração oficial confirmando falha em seus produtos. O KriptoHoje acompanhará os desdobramentos do caso.
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