A IBM anunciou um marco em computação quântica que reacende o debate sobre a segurança do Bitcoin. O avanço aproxima a indústria de máquinas capazes de desafiar os algoritmos criptográficos que protegem as redes blockchain.
A International Business Machines (IBM) divulgou que atingiu o que chamou de “vantagem quântica confiável” — um estágio em que computadores quânticos conseguem executar determinadas tarefas de forma mais eficiente do que os sistemas clássicos mais avançados. O anúncio, reportado pelo portal Decrypt, representa um passo concreto no desenvolvimento de máquinas com poder computacional suficiente para, no futuro, pressionar os fundamentos criptográficos que sustentam o Bitcoin e outras criptomoedas.
A segurança do Bitcoin depende, em grande parte, do algoritmo ECDSA (Elliptic Curve Digital Signature Algorithm), utilizado para assinar transações e proteger chaves privadas. Teoricamente, um computador quântico suficientemente poderoso poderia reverter o processo matemático por trás dessas assinaturas — algo que os computadores convencionais levariam bilhões de anos para realizar. A questão central não é se isso é possível, mas quando se tornará uma ameaça prática.
Segundo a Decrypt, o progresso da IBM reflete uma trajetória contínua de aprimoramento de seus processadores quânticos, com avanços em estabilidade e redução de erros — dois dos maiores obstáculos históricos da tecnologia. A empresa não afirma ter quebrado qualquer criptografia, mas o movimento sinaliza que a indústria está avançando em ritmo relevante.
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O que está em jogo para o Bitcoin
A rede Bitcoin opera com base em criptografia de curva elíptica e no algoritmo de hash SHA-256. Enquanto o SHA-256 é considerado relativamente mais resistente a ataques quânticos, o ECDSA apresenta vulnerabilidades teóricas caso um adversário disponha de um computador quântico com número de qubits suficiente e baixa taxa de erros.
O algoritmo de assinatura digital usado pelo Bitcoin é, teoricamente, vulnerável ao Algoritmo de Shor, executável em computadores quânticos avançados.
O algoritmo de hash utilizado na mineração do Bitcoin oferece maior resistência a ataques quânticos em comparação ao ECDSA, segundo especialistas.
Especialistas estimam que seriam necessários milhões de qubits físicos estáveis para quebrar a criptografia do Bitcoin — algo muito além do estado atual da tecnologia.
O NIST (EUA) já padronizou algoritmos resistentes a ataques quânticos. A comunidade Bitcoin debate adaptações para proteger a rede no longo prazo.
A comunidade cripto já está de olho
O debate sobre a resistência quântica do Bitcoin não é novo, mas ganhou intensidade nos últimos anos com os avanços concretos de empresas como IBM, Google e startups especializadas. Em 2024, o Google apresentou seu chip quântico Willow, que também gerou discussões semelhantes no ecossistema cripto.
O que dizem os especialistas
A maioria dos pesquisadores de segurança concorda que um computador quântico capaz de ameaçar o Bitcoin de forma prática ainda está a décadas de distância. No entanto, o consenso é que a preparação deve começar agora — especialmente na definição de padrões de criptografia pós-quântica para redes públicas como o Bitcoin, dado o tempo necessário para coordenar atualizações em protocolos descentralizados.
A questão de governança é particularmente delicada no caso do Bitcoin, cuja natureza descentralizada exige amplo consenso entre mineradores, desenvolvedores e usuários para qualquer alteração de protocolo. Uma migração para algoritmos pós-quânticos seria tecnicamente complexa e politicamente desafiadora — o que torna a antecipação ainda mais relevante.
📌 Nota editorial
As informações sobre o avanço da IBM foram originalmente reportadas pelo portal Decrypt. O KriptoHoje reescreveu e contextualizou o conteúdo para o leitor brasileiro, sem reprodução direta do texto original.
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