Uma coalizão inédita de mais de 140 instituições financeiras — incluindo Visa, Mastercard, Coinbase, BlackRock, Itaú e Bradesco — anunciou o lançamento do Open USD, uma nova stablecoin lastreada em dólar que promete dividir as receitas de reserva com seus participantes.
O mercado de stablecoins ganhou um novo e poderoso competidor. A iniciativa, batizada de Open USD (OUSD), reúne algumas das maiores instituições financeiras e de tecnologia do mundo em torno de um ativo digital atrelado ao dólar americano. O anúncio sacudiu o setor e impactou diretamente as ações da Circle, empresa emissora do USDC — atualmente a segunda maior stablecoin do mundo.
Segundo o Portal do Bitcoin, o diferencial do Open USD está em seu modelo de distribuição de receita: diferentemente do USDC, cujos rendimentos sobre as reservas ficam concentrados na Circle e na Coinbase, o OUSD propõe compartilhar os lucros gerados pelos ativos de lastro com todas as instituições participantes da rede. Isso cria um incentivo direto para que bancos, fintechs e processadoras de pagamento adotem e distribuam a nova stablecoin.
A presença de Itaú e Bradesco entre os signatários chama atenção pelo ângulo brasileiro: os dois maiores bancos privados do país sinalizaram abertura para operar com ativos digitais em escala global, em um momento em que o Banco Central do Brasil avança no desenvolvimento do Drex, sua moeda digital.
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O que é o Open USD e como ele funciona
O Open USD é uma stablecoin lastreada 1:1 em dólares americanos, com reservas aplicadas em ativos de baixo risco — como títulos do Tesouro dos EUA de curto prazo. A estrutura é semelhante à do USDC e do USDT, mas o mecanismo de governança e distribuição de receita é aberto às instituições que integram a coalizão.
Mais de 140 empresas, entre bancos, gestoras, fintechs e processadoras de pagamento, integram a iniciativa desde o lançamento.
Os rendimentos gerados pelas reservas em dólar são distribuídos entre os participantes, diferentemente do modelo centralizado do USDC.
Itaú e Bradesco figuram entre os signatários, marcando a entrada de grandes bancos brasileiros em infraestrutura de stablecoins globais.
As ações da Circle sofreram queda expressiva após o anúncio, refletindo a preocupação do mercado com a competição direta ao USDC.
Circle na mira: USDC sob pressão real
A reação do mercado financeiro foi imediata. As ações da Circle — que abriu capital recentemente — recuaram de forma significativa após o anúncio do Open USD, sinalizando que investidores enxergam a nova stablecoin como uma ameaça concreta ao modelo de negócios da emissora do USDC.
Por que o modelo do USDC está sendo questionado?
A Circle retém para si — e divide apenas com a Coinbase — os rendimentos sobre os bilhões de dólares mantidos em reserva para lastrear o USDC. Com taxas de juros elevadas nos EUA, essa receita se tornou bilionária. O Open USD propõe redistribuir esse valor entre toda a cadeia de distribuição, o que pode torná-lo mais atrativo para bancos e empresas que queiram adotar uma stablecoin com retorno financeiro embutido.
A competição no mercado de stablecoins se intensifica em um momento de regulamentação crescente nos Estados Unidos. O GENIUS Act, legislação que busca criar um marco regulatório federal para stablecoins, avança no Congresso americano e deve definir as regras do jogo para todos os emissores — incluindo consórcios como o do Open USD.
📌 Nota editorial
As informações sobre o lançamento do Open USD e o impacto nas ações da Circle foram reportadas originalmente pelo Portal do Bitcoin. O KriptoHoje acompanha o desenvolvimento da regulamentação de stablecoins e seus desdobramentos para o mercado brasileiro.
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