Dados oficiais da Receita Federal revelam uma mudança profunda no perfil do mercado cripto brasileiro: as stablecoins passaram de nicho a protagonistas absolutas nas transações com ativos digitais no país.
Segundo levantamento da Receita Federal do Brasil, as stablecoins — moedas digitais com valor atrelado a ativos como o dólar americano ou o real — já representam cerca de 80% de todo o volume movimentado em criptoativos no país. A fatia é resultado de uma expansão acelerada: em 2019, esse tipo de ativo correspondia a apenas 3,5% das transações declaradas ao Fisco.
A trajetória ascendente chegou a atingir o pico de 94,3% em determinado período analisado, de acordo com os dados divulgados. O movimento reflete uma mudança estrutural no comportamento dos detentores de cripto no Brasil, que passaram a priorizar ativos de menor volatilidade para guardar valor, realizar remessas internacionais e operar no mercado de finanças descentralizadas.
Segundo reportagem da InfoMoney, os números fazem parte de um painel elaborado pela própria Receita Federal com base nas declarações obrigatórias enviadas por exchanges e contribuintes. O órgão passou a exigir a prestação de contas sobre criptoativos de forma sistemática a partir de 2019, o que permite acompanhar a evolução do setor ao longo dos anos.
Por que as stablecoins cresceram tanto?
A combinação entre instabilidade do real, acesso facilitado a ativos dolarizados e o crescimento das plataformas DeFi criou um ambiente favorável para a adoção massiva de stablecoins no Brasil. Para muitos usuários, manter reservas em USDT ou USDC tornou-se uma alternativa prática à dolarização via canais tradicionais.
O que dizem os números da Receita
Os dados da Receita Federal colocam o Brasil em posição de destaque no cenário global de adoção de stablecoins. Enquanto em outros países as criptomoedas mais voláteis, como Bitcoin e Ether, ainda dominam grande parte das negociações, no Brasil a preferência por ativos estáveis já é maioria expressiva.
A participação das stablecoins no volume cripto brasileiro saltou de 3,5% em 2019 para cerca de 80% atualmente, chegando a pico de 94,3% em determinado período.
Os números provêm das declarações obrigatórias enviadas à Receita Federal por exchanges e contribuintes, tornando o levantamento uma das fontes mais confiáveis sobre o setor no país.
Grande parte das stablecoins utilizadas no Brasil está atrelada ao dólar americano, como USDT (Tether) e USDC, refletindo busca por proteção cambial.
O crescimento das stablecoins amplia a base de contribuintes que precisam declarar criptoativos ao Fisco, já que as regras de IR se aplicam independentemente do tipo de ativo digital.
Obrigações fiscais para quem usa stablecoins
Um ponto de atenção para os usuários brasileiros é que stablecoins também estão sujeitas às regras de declaração do Imposto de Renda. A Receita Federal trata esses ativos da mesma forma que qualquer outra criptomoeda: quem detém saldo superior a R$ 5 mil ao final do ano deve informar na declaração, e quem realiza ganhos tributáveis acima de R$ 35 mil mensais está sujeito ao recolhimento de DARF.
Com o aumento do volume declarado em stablecoins, é esperado que a fiscalização sobre esse segmento se intensifique nos próximos anos. Exchanges já são obrigadas a informar automaticamente as movimentações dos usuários à Receita por meio da IN RFB 1.888/2019, o que reduz a margem para omissões involuntárias.
Leia tambem: como declarar Bitcoin no IR 2026.
📌 Nota editorial
Os dados citados nesta reportagem foram originalmente divulgados pela InfoMoney com base em informações públicas da Receita Federal do Brasil. O KriptoHoje recomenda a leitura da fonte original para detalhamento metodológico completo.
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