A PowerCompute tomou uma posição agressiva: usou 307 Bitcoin como garantia de uma dívida de US$ 18 milhões, sem risco de chamada de margem — até setembro chegar.
Uma empresa de infraestrutura de computação chamada PowerCompute estruturou uma operação financeira que chama atenção no mercado de criptoativos: ela comprometeu 307 Bitcoin como colateral para cobrir uma dívida de US$ 18 milhões, sem que o credor possa exigir garantias adicionais antes de 2 de setembro de 2025.
Segundo a CryptoSlate, a estrutura do acordo protege a empresa de chamadas de margem enquanto o prazo não vencer — mas essa proteção tem data de expiração. No dia 2 de setembro, a PowerCompute precisará quitar a dívida, entregar o colateral ou aceitar novas condições, possivelmente com taxas mais elevadas.
O ponto crítico da operação está no preço do Bitcoin. Se a cotação da criptomoeda cair abaixo de US$ 58.860, o valor dos 307 BTC dados em garantia passa a ser insuficiente para cobrir integralmente a dívida — o que coloca a empresa em situação de vulnerabilidade financeira, mesmo sem a possibilidade imediata de liquidação forçada.
Para quem quer entender melhor como o Bitcoin funciona como ativo antes de analisar esse tipo de operação, confira o guia completo de Bitcoin para iniciantes.
Como funciona a estrutura da dívida
Operações de crédito lastreadas em Bitcoin são cada vez mais comuns no setor corporativo. A lógica é simples: em vez de vender os ativos para levantar capital, a empresa os usa como garantia e mantém a exposição ao ativo — apostando na valorização futura.
No caso da PowerCompute, a taxa contratada vale apenas por este primeiro período. Após setembro, o credor poderá reprecificar os termos. Isso significa que, mesmo que a empresa atravesse o prazo sem problemas, o custo financeiro da dívida pode aumentar consideravelmente na renovação.
307 BTC comprometidos como garantia da dívida de US$ 18 milhões. Caso o preço caia abaixo de US$ 58.860, o valor do colateral fica aquém da obrigação.
Até 2 de setembro de 2025, o credor não pode exigir garantias adicionais. Após essa data, a empresa deve pagar, entregar o BTC ou aceitar novos termos.
A estrutura só é vantajosa para a PowerCompute se o Bitcoin se mantiver valorizado, tornando o colateral suficiente e a dívida viável de ser quitada.
A taxa contratada vale apenas neste período inicial. Em setembro, o credor pode reprecificar as condições, elevando o custo financeiro da operação.
O risco por trás da operação
Estruturas como essa revelam um padrão crescente entre empresas do setor cripto: usar o Bitcoin acumulado em balanço não como reserva passiva, mas como alavanca para captar recursos. A vantagem é óbvia — a empresa não precisa liquidar posição para financiar operações.
A desvantagem, no entanto, é a exposição dupla ao preço do ativo: se o Bitcoin cair, o valor do colateral diminui ao mesmo tempo em que a dívida permanece fixa em dólares. No limite, a empresa pode ser obrigada a entregar os próprios BTC ao credor para quitar a dívida.
Contexto: dívida corporativa em Bitcoin
Segundo a CryptoSlate, a PowerCompute pode entregar os 307 Bitcoin e encerrar a dívida de US$ 18 milhões caso o preço caia abaixo de US$ 58.860. A operação, portanto, tem um piso implícito — abaixo dele, a lógica financeira do acordo se inverte completamente.
O caso da PowerCompute ilustra como o mercado de crédito cripto ainda opera em condições distintas do sistema financeiro tradicional. A ausência de chamadas de margem durante o prazo inicial oferece previsibilidade — mas cria uma concentração de risco no momento do vencimento.
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