No Money Legos Rio, representantes de seis empresas do setor discutiram como a tokenização de ativos financeiros pode eliminar o horário de funcionamento das bolsas e abrir o mercado a qualquer pessoa, a qualquer hora.
A ideia de uma bolsa de valores que nunca fecha pode parecer futurista, mas ela esteve no centro do debate durante o painel realizado no Money Legos Rio. Representantes de empresas como BitGo, Pods, Zeom, Dynamic, Ondo e Etherfuse se reuniram para discutir de que forma a tokenização de ativos financeiros pode redesenhar a infraestrutura dos mercados tradicionais.
Segundo a Exame.com, o consenso entre os participantes foi de que a tokenização não representa apenas uma evolução tecnológica, mas uma mudança estrutural na forma como ativos são emitidos, negociados e liquidados. O modelo atual, com janelas fixas de operação e intermediários obrigatórios, seria incompatível com a lógica de redes descentralizadas que operam de forma contínua.
No Brasil, a B3 — principal bolsa de valores do país — ainda opera em horários definidos e depende de uma cadeia de custódia e liquidação que leva dias para ser concluída. A tokenização promete substituir esse fluxo por liquidação instantânea em blockchain, com contratos inteligentes executando automaticamente as transferências de propriedade.
O que muda na prática com ativos tokenizados
A tokenização consiste em representar um ativo do mundo real — como uma ação, um título de renda fixa ou uma fração imobiliária — como um token em uma rede blockchain. Isso permite que ele seja negociado de forma programável, fracionada e sem depender de horários comerciais.
Ativos tokenizados podem ser negociados a qualquer hora, eliminando as janelas de operação das bolsas tradicionais.
Contratos inteligentes executam a transferência de propriedade em segundos, substituindo o ciclo D+2 convencional.
Um imóvel ou título pode ser dividido em milhares de tokens, permitindo acesso a investidores com menor capital disponível.
Redes como o Ethereum permitem que ativos tokenizados sejam acessados por qualquer pessoa com conexão à internet, independentemente do país.
Ethereum como infraestrutura do novo mercado
Parte relevante do debate girou em torno do Ethereum como camada de infraestrutura para a tokenização. A rede, que suporta contratos inteligentes desde 2015, consolidou-se como o principal ambiente para emissão de ativos tokenizados em escala institucional. Empresas como Ondo Finance já operam produtos de renda fixa tokenizados sobre essa base.
Para entender melhor como o Ethereum funciona e por que ele se tornou central nessa discussão, o KriptoBR publicou um guia completo de Ethereum com linguagem acessível para iniciantes.
Regulação ainda é o principal obstáculo
Apesar do avanço técnico, os participantes do painel reconheceram que a adoção em larga escala depende de marcos regulatórios claros. No Brasil, o Banco Central e a CVM vêm se movimentando nessa direção, mas o ritmo legislativo ainda não acompanha a velocidade do desenvolvimento tecnológico.
📰 Nota editorial
As informações deste artigo são baseadas em cobertura publicada pela Exame.com sobre o painel do Money Legos Rio. O KriptoHoje reescreveu e contextualizou o conteúdo de forma independente.
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