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Tokenização pode baratear o crédito no Brasil?

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Por trás das altas taxas de juros brasileiras existe um custo operacional pouco debatido — e a tokenização baseada em blockchain surge como uma das alternativas para enfrentá-lo.

O Brasil historicamente figura entre os países com os juros mais elevados do mundo. Grande parte do debate público se concentra em fatores macroeconômicos como a taxa Selic ou o risco fiscal. Mas existe uma camada menos visível que também pesa sobre o custo final do crédito: a ineficiência operacional dos processos internos das instituições financeiras.

Segundo a Exame, o principal potencial do blockchain para o mercado financeiro está justamente na capacidade de criar registros digitais auditáveis, automatizar processos e eliminar redundâncias que hoje consomem tempo e dinheiro ao longo de toda a cadeia de crédito.

A tokenização é o processo de representar ativos do mundo real — como recebíveis, imóveis ou títulos de dívida — em formato digital dentro de uma blockchain. Ao fazer isso, cada etapa da operação financeira pode ser registrada de forma imutável e verificável por todos os participantes autorizados, sem a necessidade de intermediários que validem manualmente cada transação.

O que são esses custos invisíveis?

Toda operação de crédito envolve uma série de etapas burocráticas: análise cadastral, validação de documentos, registro em cartório, conciliação entre sistemas de diferentes instituições e monitoramento do contrato ao longo do tempo. Cada uma dessas etapas tem um custo — de pessoal, tecnologia e tempo — que é repassado, ao final, para a taxa de juros cobrada do tomador.

Esse conjunto de despesas operacionais forma o chamado spread bancário, que no Brasil é um dos mais elevados do planeta. Reduzir essa camada de ineficiência é um dos objetivos centrais das iniciativas de finanças descentralizadas e de projetos institucionais de tokenização que vêm ganhando espaço no país.

📄 Registros auditáveis

A blockchain armazena cada etapa da operação de forma imutável, reduzindo disputas e retrabalho entre instituições.

⚙️ Automação via contratos inteligentes

Contratos inteligentes executam regras automaticamente, eliminando processos manuais repetitivos e sujeitos a erros.

🔗 Interoperabilidade entre instituições

Uma infraestrutura compartilhada evita que bancos precisem reconciliar dados separadamente, cortando custos de back-office.

🏦 Acesso ampliado ao crédito

Com processos mais baratos, torna-se financeiramente viável atender perfis de tomadores hoje ignorados pelo sistema tradicional.

Onde o Brasil está nessa agenda?

O Banco Central do Brasil tem liderado iniciativas relevantes nessa direção. O projeto Drex — a moeda digital do BC — foi desenhado justamente para criar uma infraestrutura de liquidação programável que viabilize a tokenização de ativos financeiros em escala nacional. A ideia é que recebíveis, títulos públicos e outros instrumentos possam circular de forma digital, com liquidação automática e menor dependência de intermediários.

Grandes bancos brasileiros e fintechs já realizam pilotos com tokenização de recebíveis de agronegócio, debêntures e fundos imobiliários. O mercado de capitais também avança: a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) publicou normas que reconhecem ofertas de tokens como valores mobiliários, dando mais segurança jurídica ao setor.

Contexto: o spread bancário brasileiro

O Brasil tem um dos maiores spreads bancários do mundo. Segundo dados do Banco Central, o spread médio nas operações de crédito livre para pessoas físicas superou 30 pontos percentuais ao ano em 2024. Parte desse valor reflete inadimplência e impostos, mas outra parcela significativa vem de custos administrativos e operacionais que a tecnologia pode, em tese, comprimir.

Para quem está começando a entender o universo cripto e blockchain, vale estudar os fundamentos antes de acompanhar essas tendências do mercado financeiro.

Leia tambem: guia completo de criptomoedas.

A tokenização não é uma solução mágica para os juros altos no Brasil. Fatores estruturais como risco de crédito elevado, carga tributária e inadimplência continuam sendo determinantes. Mas a tecnologia oferece uma alavanca real para reduzir ao menos a parcela dos custos que vem da ineficiência — e isso, por si só, já representa um avanço concreto.

📌 Nota editorial

Esta reportagem é baseada em análise publicada pela Exame sobre o impacto potencial da tokenização no mercado de crédito brasileiro. O KriptoHoje reescreveu e ampliou o conteúdo com contexto adicional de fontes públicas, incluindo dados do Banco Central do Brasil e da CVM.

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Analista de suporte técnico da KriptoBR. Trabalha com configuração de carteiras de hardware e diagnóstico de problemas de autocustódia relatados por clientes.
Reportagem produzida com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas do setor e revisada pela equipe da KriptoBR antes da publicação. Como produzimos nosso conteúdo.
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Marcio Fagundes
Analista de suporte técnico da KriptoBR. Trabalha com configuração de carteiras de hardware e diagnóstico de problemas de autocustódia relatados por clientes.

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