Um relatório da Chainalysis estima em US$ 457 bilhões as atividades com criptomoedas sujeitas à tributação em 2025 — mas as regras internacionais de reporte vigentes tornam visível ao fisco apenas uma fração desse valor.
Segundo a BeInCrypto, a empresa de análise de blockchain Chainalysis divulgou dados que revelam uma lacuna expressiva entre o volume de transações com criptomoedas que, em tese, podem ser tributadas e o que os governos ao redor do mundo conseguem de fato monitorar. A estimativa para 2025 é de US$ 457 bilhões em atividade tributável — mas apenas 14% desse total seria rastreável sob as regras atuais do CARF (Crypto-Asset Reporting Framework), o padrão de reporte criado pela OCDE.
O CARF foi desenvolvido para padronizar a troca automática de informações fiscais sobre criptoativos entre países. No entanto, sua implementação ainda é parcial: poucos estados já adotaram o framework de forma efetiva, o que significa que a maior parte das movimentações ocorre fora do alcance do fisco — ao menos por enquanto.
Para quem está começando a entender o universo cripto, é importante saber que transações com criptomoedas podem gerar obrigações fiscais em muitos países, incluindo o Brasil. Confira o guia completo de criptomoedas para entender melhor como esse mercado funciona antes de operar.
O que é o CARF e por que ele importa?
O Crypto-Asset Reporting Framework é uma iniciativa da OCDE que obriga exchanges e outras plataformas de criptoativos a reportarem automaticamente dados de usuários às autoridades fiscais — de forma similar ao que já ocorre com contas bancárias internacionais via o sistema CRS (Common Reporting Standard).
O problema é que a adesão ao CARF ainda é limitada. Países que não implementaram o framework simplesmente não recebem — nem enviam — essas informações. Isso cria brechas estruturais que deixam a maior parte do volume cripto fora do radar das autoridades tributárias.
Volume estimado de atividade com criptomoedas sujeita à tributação em 2025, segundo a Chainalysis.
Fração do total que os governos conseguem monitorar sob as regras atuais do CARF da OCDE.
Poucos países implementaram o framework da OCDE de forma efetiva, limitando a troca de informações fiscais.
O CARF funciona de forma análoga ao sistema bancário internacional de reporte automático já usado por dezenas de países.
O que muda para o investidor comum?
No curto prazo, a baixa cobertura do CARF significa que muitas transações ainda passam despercebidas pelas autoridades. Mas o cenário tende a mudar. A OCDE e os governos do G20 vêm pressionando por uma adoção mais ampla do framework — e especialistas esperam que, nos próximos anos, a transparência fiscal sobre criptoativos aumente significativamente.
No Brasil, a Receita Federal já exige a declaração de criptoativos no Imposto de Renda e monitora exchanges que operam no país. A tendência global é de convergência: mais países adotando padrões como o CARF, mais exchanges obrigadas a reportar e menos espaço para omissões fiscais.
Contexto: a janela fiscal está se fechando
A Chainalysis estima que a expansão da cobertura do CARF pode elevar substancialmente a parcela visível dos US$ 457 bilhões tributáveis. À medida que mais países aderem ao framework e exchanges globais passam a reportar dados automaticamente, a margem de invisibilidade fiscal tende a encolher — o que reforça a importância de manter registros precisos de todas as operações com criptoativos.
📰 Nota editorial
Os dados mencionados nesta reportagem foram publicados originalmente pela BeInCrypto com base em relatório da Chainalysis, empresa especializada em análise de dados de blockchain. O KriptoHoje reproduz as informações com base na fonte citada, sem endossar projeções ou estimativas como definitivas.
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