Apuração fechada: 21h de 13 de outubro de 2026 (horário de Brasília)
A fabricante encolheu a rede de revendas autorizadas depois do caso das carteiras Ledger com implante espião. No Brasil, segue apenas com a KriptoBR, que o diretor comercial da Trezor destacou publicamente pelo padrão de segurança.
A Trezor corta revendedores pelo mundo e mantém a KriptoBR como sua única revenda no Brasil. A fabricante de carteiras físicas anunciou nesta terça-feira (13) que vai reduzir a rede de revendas autorizadas para conseguir fiscalizar de perto quem continua, uma resposta ao caso das carteiras Ledger vendidas com um implante que roubava as palavras de recuperação no Sudeste Asiático. Horas depois do anúncio, o diretor comercial da Trezor, Danny Sanders, citou a brasileira pelo nome no X: disse que a fabricante seguirá com ela para atender o Brasil e a apresentou como parceira de padrão de segurança máximo.
Em resumo
✓ A Trezor encerra em 1º de janeiro de 2027 a autorização de boa parte de seus revendedores: entre 60% e 70% da rede, segundo a KriptoBR. Quem foi cortado já não recebe estoque novo.
✓ No Brasil, a fabricante segue com a KriptoBR, a única revenda brasileira na lista oficial da Trezor.
✓ O diretor comercial, Danny Sanders, destacou o padrão de segurança da KriptoBR em publicação no X.
✓ A decisão veio depois de a Ledger confirmar implantes espiões em carteiras vendidas pela CryptoBilis, revendedora do Sudeste Asiático.
✓ A Trezor afirma não haver nenhuma prova de que seus aparelhos tenham sido comprometidos.
1
revenda da Trezor no Brasil na lista oficial da fabricante: a KriptoBR
60% a 70%
da rede de revendas cortada, segundo a KriptoBR; a Trezor não divulgou o número
87
revendas em 44 países ainda aparecem na lista da Trezor; as cortadas saem em 1º/01/2027
2018
ano em que a KriptoBR passou a revender Trezor no Brasil
O que a Trezor anunciou
O anúncio saiu em duas etapas na manhã de terça. Às 10h30 (horário de Brasília), Sanders publicou no X a carta enviada aos revendedores que deixam a rede. Dois minutos depois, a conta oficial da Trezor confirmou a decisão: a redução permite checar com mais eficiência quem continua, e a medida é preventiva. Nas palavras da empresa, “não existe uma única prova de que os dispositivos Trezor tenham sido comprometidos” (tradução livre).
Na carta, Sanders argumenta que uma carteira física só é tão segura quanto o caminho que percorre até chegar ao dono, e que cada aparelho que passa por mãos que a Trezor não consegue checar põe em risco as economias de alguém. A fabricante avaliou país por país, pesando faturamento e distribuição contra a própria presença em cada mercado, e decidiu manter uma rede pequena o bastante para ser inspecionada de perto.
Quem recebeu a carta deixa de receber estoque novo, mas pode vender o que tem até 1º de janeiro de 2027, atravessando a Black Friday e as festas de fim de ano. Nessa data, os nomes saem da lista oficial. Sanders escreve que a decisão não é um veredito sobre o negócio dos parceiros nem sobre a segurança dos aparelhos que eles vendem, e pede desculpas aos afetados.
Para quem fica, a régua sobe. A Trezor promete um novo contrato e verificações mais próximas sobre a origem, o armazenamento e o manuseio dos aparelhos. A Trezor não divulgou publicamente o tamanho do corte nem quais países perdem parceiros. Segundo a KriptoBR, que acompanha a rede como parceira da fabricante, a redução atinge entre 60% e 70% das revendas autorizadas. Aplicada às 87 revendas que a lista oficial ainda mostra, a conta do KriptoHoje indica que entre 26 e 35 devem continuar na rede.
O recado sobre o Brasil
Por volta do meio-dia, Sanders respondeu a uma usuária que mora no Brasil. Ela havia comentado no X que, sem a KriptoBR, teria sido muito difícil comprar a Trezor Safe 7, porque as taxas de importação somam 100% ao valor do produto com o frete. Sanders explicou que a revisão foi feita com cuidado para que a Trezor continue atendendo os países onde a loja virtual da própria fabricante não chega e, na sequência, citou a KriptoBR e disse que a Trezor seguirá trabalhando com ela para atender o Brasil.
“A KriptoBR é uma grande parceira nossa, com os mais altos padrões de segurança.”
Danny Sanders, diretor comercial (CCO) da Trezor, no X, em 13/10/2026 (tradução livre)
A publicação passava de 20 mil visualizações na noite de terça. Elogio público de fabricante a revendedor não é comum, menos ainda no mesmo dia em que a marca comunica cortes motivados por segurança à própria rede.
A KriptoBR respondeu à Trezor no X dizendo estar feliz por seguir como revenda da marca desde 2018. O Livecoins repercutiu a decisão e a tratou como um bom sinal para quem comprou com a empresa ao longo desses anos.
A consulta do KriptoHoje à lista oficial de revendas no site da Trezor, às 20h56 de terça, mostrava 87 revendas em 44 países. No Brasil, aparece um único nome: a KriptoBR. Os parceiros cortados continuam listados até 1º de janeiro, quando a fabricante promete retirá-los.
Uma parceria de oito anos
A relação começou em outubro de 2018. Na época, segundo reportagem do Livecoins, a Trezor havia parado de enviar aparelhos ao Brasil fazia cerca de um ano por causa dos impostos de importação, e a KriptoBR se tornou a revenda oficial da marca no país, com garantia e suporte em português. Hoje, o próprio site da Trezor cita o Brasil como exemplo de país em que comprar de um revendedor oficial evita um processo de importação caro e complicado.
Oito anos depois, quando a fabricante decidiu ficar só com os parceiros que consegue fiscalizar de perto, o Brasil continuou na rede pelas mãos da mesma empresa.
A KriptoBR em números

Em atividade desde junho de 2017, em São Paulo, a KriptoBR se apresenta como a maior e mais antiga revendedora de carteiras físicas do mundo. É revenda oficial de Trezor, Ledger e SecuX, além de produtos de segurança digital como Yubico e Key-ID, e foi eleita por voto popular a melhor empresa de criptomoedas do Brasil em 2021 e 2023. Os números acima foram informados pela própria empresa e não passaram por auditoria independente.
O padrão que a Trezor passa a exigir
As três frentes que a Trezor promete fiscalizar nos parceiros que ficam (origem, armazenamento e manuseio) são as etapas em que um aparelho pode ser adulterado antes de chegar ao dono. A KriptoBR afirma já operar com as seguintes práticas:

Origem
Compra apenas da fabricante ou de distribuidoras autorizadas. No caso da Trezor, a importação é direta.
Armazenamento
Estoque próprio, em sala monitorada por câmeras 24 horas por dia.
Manuseio
Todos os pedidos saem da sala da empresa na Avenida Paulista, sem centro de distribuição terceirizado. A embalagem de cada pedido é gravada em vídeo 4K, e a gravação pode ser pedida depois da entrega.
Devolução e dados
Aparelho devolvido nunca volta à venda. A empresa diz não compartilhar dados de clientes com as fabricantes e apagar os dados da base on-line entre 7 e 30 dias após a entrega.
A empresa também afirma não ter recebido nenhum relato de aparelho adulterado entre seus clientes.
Por que a Trezor apertou a rede
O gatilho foi o caso CryptoBilis. Na sexta-feira (9), a Ledger revelou que investigava carteiras esvaziadas ligadas a um revendedor e, no sábado (10), confirmou um implante de hardware não autorizado no aparelho de uma vítima. Segundo a equipe de segurança da Ledger, o componente fica dentro da carcaça, lê o que aparece na tela e, quando surgem as palavras de recuperação, decodifica a frase e a transmite pela rede de celular, por meio de um eSIM. Como não altera o chip seguro nem o sistema da carteira, o aparelho funciona normalmente.
A Ledger diz que todas as perdas confirmadas envolvem aparelhos vendidos pela CryptoBilis e que analisa relatos, ainda não confirmados, de implantes em outros lugares. O investigador on-chain Specter rastreou mais de US$ 86 milhões em roubos suspeitos, valor que a fabricante não confirmou (Decrypt). O KriptoHoje acompanha o caso desde a confirmação do implante e o rastro do dinheiro.
A Trezor retirou a CryptoBilis da própria lista na segunda-feira (12) e afirmou não ter recebido relatos de aparelhos Trezor adulterados vendidos por ela. O caso expõe um limite das checagens por software: um implante que só lê a tela não muda o firmware, e por isso escapa das verificações de autenticidade feitas pelo aplicativo, como mostrou o KriptoHoje. A procedência do aparelho volta a ser a primeira camada de proteção, e é sobre ela que a Trezor decidiu agir.
Linha do tempo
04/10/2018
KriptoBR passa a revender Trezor no Brasil, num momento em que a fabricante não enviava aparelhos ao país (Livecoins).
09/10/2026, sexta
Ledger revela investigação sobre carteiras esvaziadas ligadas a um revendedor.
10/10/2026, sábado
Ledger confirma implante não autorizado no aparelho de uma vítima, vendido pela CryptoBilis.
12/10/2026, segunda, 4h16
Trezor informa que a CryptoBilis saiu da sua lista de revendas.
13/10/2026, terça, 3h39
Ledger detalha o funcionamento do implante, que transmite a frase de recuperação por rede de celular.
13/10/2026, 10h30
Danny Sanders publica a carta aos revendedores cortados.
13/10/2026, 10h32
Trezor anuncia a redução da rede no X.
13/10/2026, 12h01
Em resposta a uma usuária brasileira, Sanders afirma que a Trezor seguirá com a KriptoBR para atender o Brasil.
13/10/2026, 20h56
Lista oficial da Trezor mostra 87 revendas em 44 países. No Brasil, só a KriptoBR.
01/01/2027
Terminam as autorizações dos revendedores cortados, que saem da lista oficial.
O que muda para quem tem ou vai comprar uma Trezor
- Quem já tem uma Trezor comprada em canal oficial não precisa fazer nada: a fabricante diz não haver prova de comprometimento dos seus aparelhos.
- Compre apenas no site da Trezor ou em revenda que conste na lista oficial da fabricante. No Brasil, a lista traz a KriptoBR.
- Confira lacre e embalagem antes de configurar. Se houver sinal de violação, não use o aparelho.
- Nenhuma Trezor sai de fábrica com firmware instalado: ele é instalado no primeiro uso, pelo Trezor Suite. Aparelho que chega já configurado é sinal de alerta.
- Nunca use palavras de recuperação que venham prontas, impressas ou fornecidas por outra pessoa. A carteira gera as suas na primeira configuração.
- Desconfie de preço muito abaixo do mercado em vendedores desconhecidos. Em 2022, a própria Trezor alertou para cópias adulteradas do Model T vendidas por um vendedor não autorizado.
Transparência
O KriptoHoje pertence ao mesmo grupo da KriptoBR, empresa citada nesta reportagem.
Os números da KriptoBR (clientes, produtos e carteiras vendidas), o tamanho do corte (entre 60% e 70% da rede) e as práticas de segurança descritas foram informados pela própria empresa; a Trezor não divulgou o percentual. A lista de revendas foi consultada no site oficial da Trezor às 20h56 de 13/10/2026 (horário de Brasília). Os horários das publicações no X foram obtidos pelo identificador de cada postagem.
A Trezor e a Ledger não foram procuradas para esta reportagem; o espaço segue aberto.
Aviso
Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptoativos envolvem risco elevado, inclusive de perda total. Antes de decidir, procure informação de fontes diversas e, se for o caso, um profissional habilitado.
Sua Trezor, de quem a Trezor escolheu manter no Brasil
A KriptoBR, do mesmo grupo do KriptoHoje, é revenda oficial da Trezor no Brasil desde 2018: produto lacrado, nota fiscal, garantia nacional e suporte em português.
Conhecer as carteiras TrezorFontes
- Trezor no X: anúncio da redução de revendedores (13/10/2026)
- Danny Sanders no X: carta aos revendedores (13/10/2026)
- Danny Sanders no X: publicação sobre a KriptoBR (13/10/2026)
- Trezor no X: saída da CryptoBilis da lista (12/10/2026)
- Ledger no X: atualização da Ledger Donjon (13/10/2026)
- Trezor: lista oficial de revendas
- Decrypt: Trezor corta revendedores
- Decrypt: implante LTE nas carteiras da CryptoBilis
- Cointelegraph: medida preventiva da Trezor
- The Crypto Times: horário das publicações
- Livecoins: Trezor chega ao Brasil pela KriptoBR (04/10/2018)
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