O bloco BRICS deixa o plano das intenções e constrói trilhos concretos para pagamentos internacionais, conectando moedas digitais de bancos centrais, o Pix brasileiro e novas redes financeiras.
Durante anos, o debate sobre uma alternativa ao dólar dentro do bloco BRICS ficou restrito a declarações políticas e cúpulas diplomáticas. Em 2025, esse cenário começa a mudar de forma concreta: os países-membros estão interligando sistemas de pagamento digital, moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) e plataformas como o Pix para criar uma infraestrutura financeira própria.
Segundo a Watcher Guru, o movimento representa uma transição da retórica para a arquitetura real — com acordos bilaterais e multilaterais sendo firmados entre membros do bloco para viabilizar transações sem a intermediação do sistema bancário norte-americano.
Para quem está começando a entender o universo das finanças digitais, é importante saber que CBDCs são versões digitais de moedas nacionais emitidas e controladas pelos bancos centrais de cada país — diferentes das criptomoedas descentralizadas como o Bitcoin. Quer entender melhor esse universo? Veja nosso guia completo de criptomoedas.
O que está sendo construído na prática
O bloco, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e os novos membros admitidos recentemente, tem avançado em pelo menos três frentes simultâneas para viabilizar pagamentos internacionais sem depender do dólar americano ou do sistema SWIFT.
Cada país desenvolve sua própria moeda digital de banco central. China lidera com o yuan digital (e-CNY), já em uso por milhões de pessoas. Brasil avança com o Drex, ainda em fase de testes.
O objetivo é conectar plataformas como o Pix do Brasil com sistemas equivalentes em outros países-membros, permitindo transferências diretas entre moedas nacionais.
Redes alternativas ao SWIFT estão em desenvolvimento para processar transações comerciais entre membros do bloco sem passar por bancos correspondentes americanos ou europeus.
Com novos membros como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Etiópia, o BRICS passa a representar uma fatia ainda maior do comércio e da produção global de energia.
Por que o dólar ainda domina — e por quanto tempo?
O dólar americano responde por cerca de 58% das reservas internacionais no mundo, segundo dados do FMI. Qualquer tentativa de substituí-lo enfrenta décadas de infraestrutura consolidada, contratos denominados em dólares e confiança institucional acumulada.
Analistas apontam que o que o BRICS busca não é necessariamente substituir o dólar de forma global, mas criar corredores alternativos para o comércio entre seus membros — reduzindo a exposição a sanções financeiras e a volatilidade cambial provocada por decisões do banco central americano, o Fed.
O papel do Pix nesse cenário
O Pix é um dos sistemas de pagamento instantâneo mais avançados do mundo e funciona como um modelo de referência dentro do bloco. O Banco Central do Brasil já discute conexões do Pix com sistemas de outros países. Se bem-sucedida, essa integração pode permitir que um exportador brasileiro receba em reais diretamente de um importador indiano, sem converter para dólares no meio do caminho.
📰 Fonte
As informações deste artigo são baseadas em reportagem publicada pelo portal Watcher Guru, que acompanha movimentos macroeconômicos e o avanço de sistemas financeiros digitais globais. O KriptoHoje reescreveu e contextualizou o conteúdo para o leitor brasileiro.
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