Autoridades sul-coreanas desarticularam um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de US$ 11 milhões em stablecoins ao longo de mais de um ano, resultando em 23 prisões.
A polícia da Coreia do Sul prendeu 23 pessoas suspeitas de integrar uma rede criminosa que utilizou a stablecoin USDT para lavar aproximadamente US$ 11,1 milhões em recursos de origem ilícita. As detenções foram reportadas pelo portal The Block e marcam mais uma operação de grande escala envolvendo criptoativos no país asiático.
Segundo o The Block, o esquema teria funcionado entre fevereiro de 2024 e abril de 2025 — um período de cerca de 14 meses. Durante esse intervalo, o grupo adquiria USDT com os recursos obtidos ilegalmente e realizava operações em exchanges de criptomoedas, tentando ocultar a origem do dinheiro e dificultar o rastreamento pelas autoridades.
Para quem está começando a entender o universo cripto, vale destacar que o USDT (Tether) é uma stablecoin — um tipo de criptomoeda cujo valor é indexado ao dólar americano, mantendo paridade de 1:1. Por ser amplamente aceito em exchanges do mundo todo e oferecer relativa estabilidade de preço, o ativo se tornou frequentemente alvo de uso indevido por agentes mal-intencionados que buscam movimentar valores sem recorrer ao sistema bancário tradicional. Para saber mais sobre como funcionam esses ativos, confira um guia completo de criptomoedas.
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Como o esquema funcionava
A estratégia adotada pelo grupo seguia um padrão comum em casos de lavagem de dinheiro com criptomoedas: converter recursos ilícitos em ativos digitais, circulá-los por diferentes carteiras e plataformas, e depois tentar reintroduzi-los na economia formal com aparência de origem legítima. O uso de stablecoins facilita essa movimentação por eliminar o risco de volatilidade durante o processo.
Aproximadamente US$ 11,1 milhões em USDT foram movimentados pelo grupo ao longo de 14 meses de operação.
As operações criminosas ocorreram entre fevereiro de 2024 e abril de 2025, segundo as autoridades sul-coreanas.
23 indivíduos foram detidos durante a operação policial, que contou com investigação prévia sobre o fluxo dos ativos digitais.
Compra de USDT com fundos ilícitos e negociação em exchanges para disfarçar a origem do dinheiro.
Por que stablecoins são visadas em crimes financeiros?
Stablecoins como o USDT combinam a estabilidade de valor de moedas fiduciárias com a agilidade das transferências em blockchain. Isso as torna atraentes tanto para usuários legítimos quanto para redes criminosas. Diferentemente do Bitcoin, cuja volatilidade pode corroer o valor do dinheiro durante uma operação, o USDT mantém paridade com o dólar — o que simplifica o planejamento de esquemas de lavagem. Autoridades ao redor do mundo têm intensificado o monitoramento de transações com stablecoins justamente por esse motivo.
Coreia do Sul endurece fiscalização cripto
O caso reflete um movimento mais amplo de endurecimento regulatório no país. A Coreia do Sul tem avançado na implementação de regras para exchanges e prestadores de serviços de ativos virtuais, exigindo registro formal junto às autoridades financeiras e adoção de práticas rigorosas de KYC (conheça seu cliente) e AML (prevenção à lavagem de dinheiro).
Operações como esta demonstram que, apesar da percepção de anonimato associada às criptomoedas, as transações em blockchain são rastreáveis. Investigadores utilizam ferramentas de análise on-chain para mapear o fluxo de fundos e identificar padrões suspeitos — o que frequentemente leva à identificação dos responsáveis, especialmente quando os ativos são convertidos em moeda fiduciária em exchanges regulamentadas.
📰 Fonte
As informações deste artigo têm como base a reportagem publicada pelo The Block, veículo especializado em cobertura do mercado de ativos digitais. Detalhes adicionais sobre o andamento do processo judicial não foram divulgados pelas autoridades sul-coreanas até o momento da publicação.
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