A Binance começou a liberar saques de forma gradual, mais de dois dias após o maior ataque hacker da história cripto, que o FBI atribui a um grupo ligado à Coreia do Norte.
Atualização de 02/11/2026, 09h02
Segundo a Decrypt, a Binance informou que processou US$ 4,649 bilhões em saques e US$ 1,01 bilhão em depósitos nas primeiras nove horas e meia após a reabertura, o que dá saída líquida de cerca de US$ 3,64 bilhões, ou 2,1% dos US$ 171 bilhões em ativos do último proof of reserves (28 de outubro). A exchange afirmou que o volume de saques se estabiliza após um pico inicial e deve publicar novo relatório de reservas nesta segunda-feira. O CEO Richard Teng disse que cerca de 95% dos ativos afetados já foram repostos. A Binance também reabriu saques em fiat, incluindo dólar americano, e em redes como Zcash, TON e Sui. Fonte: Decrypt
O hack da Binance entrou em nova fase neste domingo. A maior exchange do mundo reabriu os saques de Bitcoin depois das 14h, no horário de Cingapura, após suspendê-los por mais de dois dias. Segundo a InfoMoney, os hackers tentaram retirar mais de US$ 6 bilhões, no maior roubo cibernético já registrado.
A primeira etapa inclui 15 tokens, entre eles Ether e as stablecoins USDT, da Tether, e USDC, da Circle. Por volta das 19h30, os saques em 12 redes, como Ethereum, BNB Smart Chain, XRP e Base, também voltaram.
Retomada gradual e promessa de reembolso
A Binance afirmou que adotou uma abordagem em etapas, priorizando os tokens mais demandados pelos usuários na última semana. Cada par de rede e ativo só é reaberto depois de verificações de estabilidade e segurança.
A volta dos saques testa a promessa de ressarcir integralmente os clientes. O roubo é quatro vezes maior que o recorde anterior, o da Bybit, em 2025.
A Binance diz ter substituído cerca de 90% das criptomoedas roubadas com tesouro corporativo, fundos de emergência e de seguro.
Até sexta-feira, cerca de US$ 3 bilhões em ativos afetados foram congelados, o que não significa recuperação.
Dados da DefiLlama apontam US$ 2,5 bilhões em saídas líquidas após a retomada, até as 19h30 de Cingapura.
Quem está por trás do ataque
O FBI afirmou no sábado que o ataque foi realizado pelo TraderTraitor, unidade de elite de hackers norte-coreanos, também responsabilizada pelo roubo de cerca de US$ 1,5 bilhão da Bybit. TRM Labs, Chainalysis e Elliptic apontaram a mesma origem.
A Binance informou que o incidente pode envolver o laptop comprometido de um engenheiro de software, além de “pontos adicionais de invasão”. A empresa disse não ter encontrado evidências de vazamento de chaves privadas.
“Essas perdas não serão repassadas aos usuários”
A frase é da própria Binance. O co-CEO Richard Teng disse que a exchange cobre o prejuízo porque investe parte da receita em criptomoedas. Yi He, também co-CEO, afirmou que a receita deste ano cobriria todo o valor perdido. O custo final, porém, ainda não está claro.
Mercado reage pouco
O impacto nos preços parece limitado. A maioria das principais criptomoedas variou menos de 1% no domingo. O Bitcoin, que responde por cerca de 60% do valor de mercado do setor, girava em torno de US$ 78 mil, cerca de 5% abaixo da máxima de quinta-feira, antes do ataque.
Haseeb Qureshi, sócio-gerente da Dragonfly, disse que isso mostra o quanto o setor amadureceu: “Vimos respostas extraordinariamente rápidas.”
A Binance detém cerca de US$ 134 bilhões em ativos, contra cerca de US$ 29 bilhões da OKX, segunda maior, segundo a DefiLlama. Em 2018, ela criou o fundo SAFU, geralmente mantido em torno de US$ 1 bilhão, para situações extremas.
Onda de ataques e papel da IA
Uma série de ataques neste ano aumentou a preocupação de que a inteligência artificial esteja tornando os hackers mais eficientes. Alguns especialistas em segurança acreditam que norte-coreanos usam IA em reconhecimento e engenharia social.
Centenas de milhões de dólares saíram da Bitget em setembro. Mais de US$ 100 milhões em Bitcoin foram roubados de carteiras protegidas por dispositivos da Coinkite, e uma adulteração envolvendo dispositivos da Ledger causou perdas de milhões. Polymarket, Mirae Asset, Daishin Securities e GMO Internet Group também foram alvos.
📝 Nota editorial
Os dados citados são da InfoMoney e das declarações da Binance. A investigação segue em andamento e os números podem mudar.
Leia também: como blindar suas criptomoedas contra roubos.
FBI publica endereços e Chainalysis rastreia lavagem dos fundos
Segundo a Decrypt, o alerta do FBI inclui centenas de endereços de Ethereum, 19 de Bitcoin e um de Solana ligados ao roubo. O órgão pediu que operadores de nós, corretoras instantâneas, serviços DeFi e empresas de análise bloqueiem transações envolvendo esses endereços.
O FBI, com o Serviço Secreto e a IRS Criminal Investigation, viu os hackers converterem os ativos principalmente em Ethereum e espera nova lavagem via DeFi e serviços de troca instantânea. O Serviço Secreto disse ter ajudado a congelar “uma parcela significativa” dos fundos minutos após o ataque.
A Chainalysis afirmou que os criminosos moveram mais de US$ 500 milhões na rede Tron, por mais de 1.000 endereços. Esses fundos já saíram em grande parte por Chainflip, Relay, THORChain e NEAR rumo a carteiras novas em Ethereum, Bitcoin e outras redes, e a lavagem começou a chegar à Solana.
No mercado, os ETFs de Bitcoin à vista tiveram saída de US$ 643,2 milhões na sexta-feira. Segundo a DefiLlama, OKX e Bybit registraram entradas líquidas de cerca de US$ 450 milhões e US$ 134 milhões durante a reabertura.
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