A Coreia do Sul deu o primeiro passo formal contra usuários domésticos de uma plataforma descentralizada de apostas em eventos reais — e o caso acende um alerta para o setor global de mercados de previsão.
No dia 5 de junho, a Agência Provincial de Polícia de Gangwon, na Coreia do Sul, iniciou a primeira investigação do país envolvendo o uso da plataforma Polymarket por residentes locais. A ação foi conduzida a pedido da Agência Nacional de Polícia e tem como foco cidadãos sul-coreanos que realizaram apostas sobre os resultados das eleições municipais de 3 de junho.
Para identificar os envolvidos, as autoridades estão rastreando registros de transações em criptomoedas — a mesma infraestrutura que permitia aos usuários operar de forma anônima e transfronteiriça agora serve como trilha digital para investigadores. O caso ilustra uma tensão crescente entre a natureza sem fronteiras das finanças descentralizadas e as legislações nacionais de jogos e apostas.
Segundo a CryptoSlate, que noticiou o caso, o Polymarket é tecnicamente acessível a qualquer pessoa com acesso à internet e a uma carteira digital, independentemente do país de origem. No entanto, a plataforma já havia bloqueado usuários dos Estados Unidos após pressão regulatória em 2022 — e agora a Coreia do Sul sinaliza que pode seguir caminho semelhante.
Para entender melhor como as criptomoedas funcionam e por que elas permitem esse tipo de operação global, consulte nosso guia completo de criptomoedas.
O que são mercados de previsão?
Mercados de previsão são plataformas onde participantes apostam com dinheiro real — ou criptomoedas — sobre o resultado de eventos futuros: eleições, partidas esportivas, decisões judiciais, indicadores econômicos e muito mais. O preço de cada “ação” reflete a probabilidade estimada pelo mercado para aquele resultado.
O Polymarket, construído sobre a blockchain da Polygon, é hoje uma das maiores plataformas do setor. Movimentou volumes bilionários durante as eleições presidenciais americanas de 2024, atraindo atenção global tanto de investidores quanto de reguladores.
Plataformas como o Polymarket operam em blockchain pública, acessíveis a qualquer pessoa com uma carteira cripto — sem fronteiras geográficas por padrão.
A maioria dos países classifica apostas em dinheiro como atividade regulada ou ilegal. Residentes podem infringir leis nacionais mesmo usando plataformas estrangeiras.
Transações em blockchain são públicas e imutáveis. Autoridades com ferramentas de análise de dados conseguem identificar carteiras e, em alguns casos, vinculá-las a pessoas reais.
Mesmo plataformas descentralizadas podem implementar restrições por IP ou KYC para cumprir exigências regulatórias de determinados países, como já ocorreu com usuários dos EUA.
O paradoxo da descentralização
A proposta dos mercados de previsão descentralizados é operar sem intermediários e sem restrições geográficas. Mas quanto mais populares se tornam, mais visíveis ficam para autoridades locais. O rastro imutável da blockchain — uma vantagem de transparência — torna-se também uma ferramenta de rastreamento para investigações. A tensão entre abertura global e conformidade local não tem solução simples.
Um precedente com implicações amplas
O caso sul-coreano não é isolado. Em 2024, o cofundador do Polymarket, Shayne Coplan, teve sua residência em Nova York revistada pelo FBI — embora a empresa não tenha sido formalmente acusada de nenhum crime naquele momento. O episódio já havia levantado questões sobre os limites legais dessas plataformas nos Estados Unidos.
Para usuários brasileiros, o cenário também merece atenção. O Brasil passou por uma revisão ampla de sua legislação sobre apostas esportivas e jogos de azar nos últimos anos. Embora não haja investigações públicas conhecidas contra usuários de plataformas descentralizadas no país, o ambiente regulatório está em constante evolução.
📌 Nota editorial
As informações sobre a investigação sul-coreana foram reportadas originalmente pela CryptoSlate em junho de 2025. O KriptoHoje recomenda que leitores consultem as leis locais antes de utilizar qualquer plataforma de apostas ou mercados de previsão, independentemente da tecnologia utilizada.
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