A Polícia Federal desarticulou em Rondônia uma quadrilha especializada em fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro via criptomoedas, com bloqueio de R$ 30 milhões em corretoras.
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Rondônia (FICCO/RO) deflagrou na última sexta-feira (14) a Operação Ouroboros, ação que resultou no cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra uma organização criminosa dedicada a fraudes eletrônicas na cidade de Porto Velho.
O grupo utilizava corretoras de Bitcoin e outras criptomoedas como caminho para dissimular a origem dos recursos obtidos de forma ilícita. As autoridades identificaram uma estrutura montada especificamente para a lavagem de capitais desviados de instituições financeiras, o que levou ao bloqueio de R$ 30 milhões em ativos distribuídos nessas plataformas.
Segundo informações publicadas pelo portal Livecoins, a operação integra um esforço mais amplo das forças de segurança para combater o uso de criptoativos como instrumento de ocultação patrimonial por organizações criminosas no Brasil.
Como a quadrilha usava criptomoedas para lavar dinheiro
O esquema investigado seguia um padrão cada vez mais comum entre organizações criminosas: aplicar golpes e fraudes eletrônicas contra correntistas e instituições financeiras e, em seguida, converter os valores em criptoativos para dificultar o rastreamento pelos órgãos de controle.
A lógica por trás do uso de Bitcoin e outras criptomoedas nesse tipo de esquema envolve a percepção — equivocada — de que transações em blockchain são anônimas. Na prática, as ferramentas de análise de cadeia (on-chain analytics) utilizadas pelas autoridades têm avançado significativamente, permitindo rastrear movimentações mesmo em redes descentralizadas.
Autoridades brasileiras utilizam ferramentas de análise de blockchain para identificar fluxos suspeitos em corretoras, mesmo em transações descentralizadas.
Os R$ 30 milhões bloqueados estavam distribuídos em corretoras de criptomoedas, que são obrigadas por lei a cooperar com ordens judiciais de bloqueio de ativos.
A Lei 14.478/2022 regulamentou o mercado de criptoativos no Brasil e ampliou as obrigações das exchanges quanto à prevenção à lavagem de dinheiro.
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Rondônia reúne PF, PRF e outras forças de segurança para operações contra o crime organizado no estado.
Criptomoedas e crime organizado: um alvo crescente das autoridades
A Operação Ouroboros não é um caso isolado. Nos últimos anos, a Polícia Federal e o Ministério Público têm intensificado ações que envolvem o bloqueio de criptoativos associados a crimes financeiros. A crescente adoção de Bitcoin e outras moedas digitais também ampliou seu uso por grupos criminosos interessados em mover valores sem passar pelo sistema bancário tradicional.
Para o investidor comum, o episódio reforça a importância de operar apenas em corretoras regulamentadas e de compreender os riscos associados ao ecossistema cripto — incluindo golpes que frequentemente se disfarçam de oportunidades legítimas.
Leia também: como identificar golpes com criptomoedas.
O nome da operação não é por acaso
Ouroboros é o símbolo da serpente que devora a própria cauda — uma referência ao ciclo fechado de fraude e lavagem investigado: o dinheiro roubado de instituições financeiras retornava ao sistema disfarçado como criptoativos “limpos”, completando o ciclo criminoso que a operação buscou interromper.
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