Espanha e Indonésia se juntam ao Brasil no bloqueio ao Polymarket, plataforma de apostas em eventos reais baseada em cripto — reguladores classificam o modelo como jogo de azar não licenciado.
O Polymarket, uma das maiores plataformas de mercados de previsão do mundo, voltou a enfrentar restrições de acesso em novos países. A Espanha e a Indonésia passaram a bloquear o serviço para usuários locais, segundo informações do Portal do Bitcoin. Em ambos os casos, a justificativa das autoridades é a mesma: a plataforma opera como uma casa de apostas sem as licenças exigidas pela legislação vigente.
O Polymarket funciona sobre a rede Polygon e permite que usuários apostem com stablecoins — principalmente USDC — no resultado de eventos do mundo real, como eleições, decisões judiciais ou movimentos de mercado. Para os reguladores, esse modelo se enquadra na categoria de jogos de azar, independentemente de a plataforma utilizar tecnologia blockchain como base.
Segundo o Portal do Bitcoin, o Brasil já havia tomado medida semelhante em abril de 2025, quando a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou o bloqueio do domínio da plataforma por solicitação do Ministério da Fazenda. O movimento espanhol e indonésio aprofunda um padrão global de restrições ao modelo de negócio do Polymarket.
Reguladores espanhóis enquadraram o Polymarket como plataforma de apostas não licenciada, determinando o bloqueio do acesso ao serviço no território nacional.
O país asiático, que já possui restrições rígidas a jogos de azar, seguiu o mesmo caminho e cortou o acesso à plataforma para usuários locais.
Em abril de 2025, a Anatel bloqueou o Polymarket a pedido do Ministério da Fazenda, tornando o Brasil um dos primeiros países a adotar a medida.
Em 2022, a CFTC multou o Polymarket em US$ 1,4 milhão e exigiu o bloqueio de usuários norte-americanos, em um dos primeiros grandes confrontos regulatórios da plataforma.
O debate sobre mercados de previsão e regulação
A discussão em torno dos mercados de previsão não é nova, mas ganhou força com a popularização do Polymarket — especialmente após a plataforma registrar volumes expressivos durante as eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2024. Para defensores do modelo, trata-se de uma ferramenta legítima de agregação de informação e gestão de risco. Para reguladores, a linha entre previsão e aposta é tênue demais para ser ignorada.
O uso de criptomoedas e contratos inteligentes como infraestrutura da plataforma adiciona uma camada extra de complexidade: transações são processadas on-chain, o que dificulta o bloqueio direto de operações, mas não impede que países restrinjam o acesso ao domínio e às interfaces web do serviço.
O que é o Polymarket?
Fundado em 2020, o Polymarket é um protocolo descentralizado de mercados de previsão construído sobre a blockchain Polygon. Usuários alocam USDC em contratos inteligentes que pagam proporcionalmente à probabilidade de um evento ocorrer. A plataforma não possui custódia central dos fundos — os contratos são liquidados automaticamente após a resolução do evento.
Para quem deseja entender melhor como o Bitcoin e o ecossistema cripto funcionam antes de se aprofundar em plataformas descentralizadas, o guia completo de Bitcoin para iniciantes é um ponto de partida recomendado.
A tendência de bloqueios pode se intensificar à medida que mais países estruturam suas legislações sobre ativos digitais e jogos de azar online. A questão central — se mercados de previsão constituem apostas ou instrumentos financeiros — ainda não possui resposta regulatória consolidada em nenhuma grande jurisdição global.
📰 Nota editorial
As informações sobre os bloqueios na Espanha e na Indonésia foram reportadas originalmente pelo Portal do Bitcoin. O KriptoHoje acompanha o desenvolvimento regulatório do setor e recomenda que leitores verifiquem a legislação local antes de utilizar qualquer plataforma de ativos digitais.
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