O Banco Central da Tailândia estuda medidas para rastrear transações em Tether (USDT) e controlar grandes depósitos em dinheiro — um movimento que pode redesenhar o uso de stablecoins na região.
O Banco Central da Tailândia (BOT) está avaliando a criação de um mecanismo conjunto de auditoria para transações realizadas em USDT, a maior stablecoin do mercado global. A iniciativa envolve cooperação direta com a comissão de valores mobiliários do país e faz parte de um pacote de medidas anticorrupção planejado para o quarto trimestre do ano, segundo informações publicadas pela BeInCrypto.
Entre as propostas em discussão está a exigência de que qualquer pessoa que deposite 5 milhões de baht ou mais em espécie — equivalente a aproximadamente US$ 150 mil — comprove a origem dos recursos. A medida visa dificultar o uso de dinheiro não rastreado no sistema financeiro tailandês, incluindo possíveis tentativas de conversão via ativos digitais.
Por que o USDT está no centro das atenções
O Tether (USDT) é uma stablecoin lastreada em dólar americano e amplamente utilizada para movimentação de recursos entre exchanges, pagamentos internacionais e liquidez em operações com criptoativos. Por circular em redes como Ethereum, Tron e outras, o USDT permite transferências rápidas e de baixo custo — o que também o torna atrativo para quem deseja mover capital com menos rastreabilidade em jurisdições com menor controle regulatório.
Para compreender melhor como o Ethereum funciona como infraestrutura para stablecoins como o USDT, vale conferir o guia completo de Ethereum.
Contexto regulatório
Segundo a BeInCrypto, o governador do BOT, Vitai Ratanakorn, sinalizou que as autoridades tailandesas estão preocupadas com o chamado “dinheiro cinza” — recursos de origem duvidosa que circulam sem declaração formal. O USDT teria sido identificado como um dos principais instrumentos utilizados nesse tipo de movimentação no país.
O que as medidas podem incluir
BOT e comissão de valores mobiliários devem monitorar transações relevantes em Tether de forma coordenada, cruzando dados entre os órgãos.
Depósitos em espécie acima de 5 milhões de baht (~US$ 150 mil) exigirão documentação comprobatória da procedência dos recursos.
As autoridades tailandesas planejam colocar o pacote de medidas em prática ainda no quarto trimestre deste ano, dentro do calendário anticorrupção do governo.
A Tailândia segue um movimento mais amplo de países asiáticos que buscam adaptar suas legislações financeiras ao crescimento do uso de stablecoins.
📌 Nota editorial
As informações desta reportagem têm como base a cobertura da BeInCrypto e declarações públicas do governador do Banco Central da Tailândia. Os detalhes finais das medidas ainda dependem de aprovação regulatória e podem ser alterados antes da implementação.
O cenário reforça a pressão crescente que stablecoins lastreadas em dólar enfrentam de reguladores ao redor do mundo. Nos últimos meses, tanto os Estados Unidos quanto a União Europeia avançaram em legislações específicas para esse tipo de ativo, e países emergentes — especialmente na Ásia — têm acompanhado de perto esses movimentos para calibrar suas próprias regras.
Para o mercado de criptoativos tailandês, ainda em fase de expansão, o novo arcabouço regulatório representa um desafio de compliance para exchanges e usuários que utilizam o USDT como principal veículo de liquidez.
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